Crítica: “X-Men – Apocalipse” abraça a ação em uma divertida batalha de superpoderes

X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse, 2015) de Brian Synger

Sexta adaptação do universo com os mutantes da Marvel, X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse, 2015) de Brian Synger, é um filme de super-herói por natureza. E dos bons. Esqueça o tom político, clima pesado ou a luta contra o preconceito. Aqui o propósito é uma aventura do bem contra o mal, e onde cada um dos personagens de encaixa na equação.

Na trama, conhecemos Apocalipse, o primeiro, e mais poderoso mutante do universo X-Men, ao acumular os poderes de muitos outros mutantes, tornando-se imortal e invencível.

Ao acordar depois de milhares de anos, ele está desiludido com o mundo em que se encontra e recruta uma equipe de mutantes (Magneto, Tempestade, Anjo e Psylocke), para purificar a humanidade e criar uma nova ordem mundial, na qual reinará.

Diante da ameaça que pode destruir a Terra, Professor X (James McAvoy) lidera uma equipe de jovens X-Men para conter o seu maior inimigo, na tentativa de salvar a humanidade do fim.

Continuação direta, X-Men: Apocalipse (2016) se passa em 1983, logo após os acontecimentos de Primeira Classe (2011) e Dias de um Futuro Esquecido (2014). O estilo lembra muito o desenho animado que tanto passou na TV nos anos 90 e 2000, e tem muitas referências oitentistas da cultura pop, como a citação de Star Wars: O Retorno de Jedi (1983), Michael Jackson (a jaqueta de Noturno) e os cabelos cheios ao estilo dos mullets de muitos dos personagens, como o Professor X.

É necessário destacar das muitas histórias paralelas, aquelas que mais importam. Como o misto de drama, dor e ódio que move Magneto; a mudança de foco de Mística (Jennifer Lawrence, bem a vontade entre o azul e o natural), distante de como a conhecemos; a relação de Professor X (James McAvoy) e da Agente da CIA Moira MacTaggart (Rose Byrne), e a revelação de Jean Grey (Sophie Turner, a própria revelação em pessoa).

Entre os caracteres, há uma boa liderança de Fera (Nicholas Hoult), uma ingenuidade bacana de Noturno (Kodi Smit-McPhee) e um Mercúrio (Evan Peters) espetacular. Se ele já havia roubado a cena em Dias de um Futuro Esquecido (2014), aqui sua presença é ainda melhor. Claro que há uma sequência similar, mas mais estendida, com o perfeito uso da conjunção de ótimos efeitos especiais, bom humor, música oitentista deliciosa (Sweet Dreams) e muita ação. Tudo aliado ao carisma do jovem Evan Peters (Kick-Ass: Quebrando Tudo, 2010).

E sim, é perceptível uma costura maior para encaixar todo mundo em torno da história com mais de duas horas e vinte de projeção. Explica-se, pois a sua história passou por dois tratamentos, com duas duplas de roteiristas diferentes. A primeira com Dan Harris e Michael Dougherty, com experiência mutante em X-Men 2 (2003), e depois com o próprio diretor, Brian Synger e Simon Kinberg. O último assina roteiro final, que também possui coisas destoantes como Quarteto Fantástico (2015) e Sherlock Holmes (2009) ou Jumper (2008) e Sr. & Sra. Smith (2005). Mas também é o mesmo de Dias de um Futuro Esquecido (2014).

São muitos os mutantes em cena, porém para quase todos eles existem seus momentos. Eu disse quase. Começando pela parte fraca da história, temos mais uma vez um Anjo (Ben Hardy) subaproveitado (como em X-Men: O Confronto Final, 2006). Psylocke (Olivia Munn) é uma malvada poderosa e… nada mais. Tempestade (Alexandra Shipp) parece um pouco perdida, mas, ainda jovem até é compreensível. Mesmo sem comprometer, o Ciclope/Scott Summer de Tye Sheridan (A Árvore da Vida, 2011) é morno, mas há espaço para crescer mais.

E Oscar Isaac (Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força, 2015), como o grande vilão Apocalipse, fica no meio termo, e só causa mesmo o horror quando se agiganta para confrontar o Professor Xavier. Mais do que um fan service, já que o personagem dos quadrinhos é um gigante mesmo, a sequência funciona muito bem para a trama.

Em lado oposto, Magneto (Michael Fassbender). Sua tragédia pessoal, envolvendo esposa e filha, é um grande combustível para a sempre complexa persona do anti-herói. E com um Michael Fassbender irrepreensível. E o Wolverine (Hugh Jackman)? Sua participação é fenomenal. Sangrenta e muito bem acomodada na trama – sem forçação de barra alguma.

Atualmente são ralas as surpresas em filmes de super-heróis. Filmes de origem, descoberta de poderes/responsabilidade, clima pesado (Batman – O Cavaleiro das Trevas) e, ultimamente confrontos (Batman Vs. Superman; Capitão América: Guerra Civil) estreiam vários por ano. Todos buscam seu espaço com suas sacadas. E aqui não é diferente.

Depois de cinco filmes no universo dos mutantes, e da produção flertar com o visual original dos seus heróis em Primeira Classe (2011), finalmente Brian Synger abraça os X-Men com toda a sua essência natural no sexto longa. Agora eles possuem uniformes coloridos e há uma gigantesca quantidade de embates de poderes na tela. Sem medo de ser feliz.

Afora os seis filmes com a chancela X-Men, há Origens: Wolverine (2009), Wolverine: Imortal (2013) e Deadpool (2016), num total de nove filmes dentro do mesmo universo.

Mesmo sem (visivelmente) um teor político, humano e a intolerância, tão presente nos dois primeiros (X-Men, 2000; X-Men 2, 2003) e em Dias de um Futuro Esquecido (2014), Apocalipse aposta e consegue entregar um espetáculo divertido. E como indica a cena pós-créditos, o show deve continuar.