Crítica: “Esquadrão Suicida” não equilibra ação sombria com comédia e vira bagunça

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) de David Ayer, é uma bagunça completa. Concebido com um tom sombrio onde violões se tornavam heróis de ocasião, o tom do longa teve de ser modificado com o filme quase pronto. Com isso, o resultado final ganhou seus momentos leves, mas é visivelmente prejudicado no todo. Vamos lá.

Baseado nas histórias em quadrinhos da DC Comics, o grupo oi criado pela dupla Robert Kanigher e Ross Andru em 1959. Com suas várias formações nas HQs, agora tem no cinema uma formação própria a partir de uma história original escrita pelo também diretor, David Ayer.

Cialis farmacias gibraltarBatman Vs. Superman (2016), a agente do governo americano, Amanda Waller (Viola Davis) acredita que os EUA precisa ter sua própria equipe de metahumanos para combater possíveis ameaças. A saída é unir criminosos, psicopatas, todos encarcerados, para criar a Força Tarefa X, e apelidado de Esquadrão Suicida.

Visto como absurdo pelos comandantes do alto escalão americano, o grupo é subitamente autorizado pelo governo após o ataque de Magia (Cara Delevingne), inicialmente uma das escolhidas por Amanda, que se volta contra ela. Se forem bem sucedidos na missão, suas penas serão atenuadas. Caso falhe, a culpa do ocorrido recairá sobre a equipe. Para tentativas de fuga serão aplicadas a morte.

Convocados para a missão, acompanhamos a junção de Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach). Ah, no meio do caminho tinha uma Katana (Karen Fukuhara). Tinha uma Katan no meio do caminho. Assim, jogada mesmo do nada. Em paralelo, o Coringa (Jared Leto) aproveita o caos para tentar resgatar Arlequina.

A escolha por apresentar seus personagens em formato de card/games, com características e fatos é bacaninha, mas as recorrências aos flashbacks na busca de explicações/justificativas, e que não cansam de papocar durante a trama, só pioram seu desenvolvimento. As refilmagens causaram um efeito cascata na superprodução, que tem uma montagem criminosa (ou seria remendo?), que beira o tosco.

Disparado, o melhor personagem (e acredito que o único mais completo e complexo), com construção, motivação e jornada, é o Diablo. Jay Hernandez (de As Torres Gêmeas) demonstra uma grande capacidade na tela, mas que é minimizada pelo roteiro.

Sim, Viola Davis (indicada ao Oscar de melhor atriz por Histórias Cruzadas) é o diabo em pessoa. E nem precisava de “Sympathy for the Devil” do Rolling Stones para gente saber disso. Sua personagem é vil, fria, calculista e que trabalha em prol de interesses que variam entre o de vantagem própria. nem que para isso tenha de fazer ações escusas. É o velho, o fim justificam os meios. Baita atuação, apesar do roteiro ruim.

A Arlequina de Margot Robbie (de Golpe Duplo) faz um esforço gigantesco para ser o centro das atenções. E na maioria das vezes consegue. Sem dúvida são dela as melhores piadas. Apesar da franca necessidade, não há exagero que a faça perder o carisma. Ela está incrível, apesar do roteiro ruim.

Não era para ser, já que se trata de um grupo, mas Will Smith toma para si o protagonismo com o seu Pistoleiro. Não que ele vá mal, é que a força do personagem nem é tão grande assim. Sem dúvida ele está acima do OK, apesar do roteiro ruim.

Sim, eu repeti “apesar do roteiro ruim” propositadamente. Mal estruturado, tem sucessivas quebras de narrativa, muitos diálogos ruins, e pouca construção de (vários) personagens. Voltarei a isso em seguida.

Nos demais do elenco, o tome demais nisso (muitos personagens para pouca história), o desequilíbrio para baixo é grande. Jai Courtney consegue brincar de ser carismático com o Capitão Bumerangue. A caracterização de Crocodilo impressiona (Adewale Akinnuoye-Agbaje), mas fica nisso. Katana (Karen Fukuhara) surge como uma salvadora da pátria com uma história que precisa ser contada (blá blá blá). Amarra (Adam Beach, A Conquista da Honra) tem nem cinco minutos de tela, está ali só para fazer número. E Scott Eastwood (Uma Longa Jornada) tem uma ponta como o militar QG Edwards.

E ainda temos de engolir duas historinhas de amor.

Uma, de cara não cola: Rick Flag/Joel Kinnaman & June Monroe/Cara Delevingne. Escolhida para ser centro do filme, a péssima estrutura do roteiro, e suas escolhas (a forma como virou Magia é risível. A concepção de vilania parece ter sido criado por uma criança de cinco anos. E é evidente que Cara Delevingne (Cidades de Papel) não sabe o significado de atuar. Talvez requebrar (vergonhosamente). E Joel Kinnaman (Robocop) sofre a reboque com tudo isso.

O que nos leva a Arlequina e Coringa. A primeira vai bem, como descrito acima. Mas não podemos dizer o mesmo de Jared Leto (Oscar de coadjuvante por Clube de Compras Dallas). Entregue ao exagero de ser, pura e simplesmente, a apresentação do seu Coringa é patética. Não adianta rir (do nada). Não adianta impressionar com o visual horrendo. Tudo não passa de um constrangimento. E olha que não estou nem comparando com outras encarnações da persona. Sem medo, classifico como um das piores construções/atuações de vilões desde Tommy Lee Jones, em Batman Eternamente (1995). Além do mais, eletrochoque e o uso escravo de uma pessoa não pode ser considerado uma romance, não é mesmo?

Nas participações, The Flash (Ezra Miller) está lá (somente) para o delírio dos fãs. E claro, temos o Batman. E de novo clubecinema.com.br – que já havia detonado em Batman Vs. Superman veste (bem) a camisa. Não é muito, mas em meio ao desastre já é alguma coisa.

Diretor e roteirista, David Ayer (do ótimo Corações de Ferro) erra a maior parte do tempo. Seja no roteiro, já trucidado justificadamente, ou sequências de ação. As cenas são fracas, não empolgam e a entidade enfrentada pelo grupo é injustificável em um terceiro ato horroroso.

Ao final, Esquadrão Suicida até diverte, mas em momentos muito aleatórios. Nunca há senso de unidade, não existe o equilíbrio necessário entre cenas de ação e o tom cômico, deixando tudo muito indigesto. Diferente de acertos que trilharam pelo mesmo caminho, como Guardiões da Galáxia (2014) e Deadpool (2016). Além disso, o uso de músicas bacanudas – usadas exaustivamente- é um flagra dessa necessidade de fazer uma conexão pop (e urgente) com o público. E nunca parece ser algo orgânico, conectado com a sua trama.

O veredito final é que a DC não sabe copiar a Marvel, e devia trilhar seu próprio caminho. Já que tudo aponta para uma continuação, ainda existe esperança que (pelo menos) a diversão prevaleça.

Ah, e temos uma cena entre créditos, mas não há nenhuma pós-créditos.

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