“Velozes e Furiosos 5” transforma o Rio em terra de ninguém

Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio (Fast Five, 2011) de Justin Lin

O filme: foragidos da justiça, O´Conner (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster) estão no Rio de Janeiro (Brasil). Por convite de Vince (Matt Shulze, mesmo personagem do primeirão) aceitam participar de um trabalho que envolve um roubo de carros num trem em movimento.

Lá reencontram Toretto (Vin Diesel), mas nada sai como planejado. Agora eles são procurados pelo agente federal americano Luke Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson) e pelo chefão do crime local, Reyes (Joaquim de Almeida).

Porque assistir: a fórmula desgastada do filme de ‘tunning’ e ‘pegas’ aposta em três saídas para manter o interesse. Recorre aos personagens de filmes anteriores (já feito no 4º. filme); explora a ‘paisagem’ exótica e a ‘terra sem lei’ que é o Brasil; e muda o foco para um filme de roubo.

O combustível de qualidade está na reserva, mas a rota de mais quilômetros e milhões de dólares a arrecadar nas telonas parece não ter fim.

Melhores momentos: afora a novidade (que já era), o principal item de série da franquia Velozes & Furiosos (2001; 2003; 2006; 2009; 2011; 2013), é sua ação desenfreada. E o número 5 (Operação Rio), só utiliza desse artifício em dois grandes momentos (primeiro trabalho, no trem; e a perseguição final), mas com uma exploração à inverossimilhança em níveis que passam do exagero normal num filme de ação.

Pontos fracos: Brasil, ‘terra sem lei’. É isso que pensam o roteirista (Chris Morgan) da fita de ação, ao escrever a ridícula cena: Vin Diesel no meio da galera brada “Isso é Brasil”. Veja e entenderá porque a esculhambação é geral.

Ah, e a perseguição final eles destroem metade dos carros do Rio e arrancam por ruas vazias… Inclusive a ponte Rio/Niterói, que funciona como uma espécie de “região de fronteira” (!?). E a ‘tropa de elite’ do agente americano? Atire primeiro, pergunte depois… E as dublagens tipo bocas-mexendo-e-palavras-descoordenadas de atores não-brasileiros que interpretam brasileiros? Bizarro, e engraçado.

Na prateleira da sua casa: replay do quarto no quesito buracos de bobagem, mas sobra muito mais nas curvas do clichê. Continuam apostando no mix de música ordinárias + mulheres-objetos + carrões envenenados (até os da Polícia Civil do Rio) e muitos furos de um roteiro que insiste em exagerar em suas saídas.

Rasteira demais, a 5ª marcha não é tão rápida quanto as anteriores (1º e 4º), iguala o fraco 2º e só não é pior que o 3º. Arranca bem com cena do trem (mesmo com a mentira geográfica), derrapadas demais nos papos sem assunto e cruza a linha final numa perseguição bacana, mas bem mentirosa.

Ainda assim, ainda recomendado aos fãs da franquia e do gênero ação-de-mais-história de-menos.