Nicolas Cage entrega performance sólida no drama independente “Joe”

Joe (Joe, 2013) de David Gordon Green 

Baseado no livro homônimo de Larry Brown, a trama acompanha a história de Joe Ransom (Nicolas Cage), um homem de meia idade que tenta esquecer seu passado levando uma vida tranquila numa pequena cidade do Texas. Durante o dia trabalha numa empresa madeireira, e à noite bebe e encontra garotas.

Um dia, conhece Gary (Tye Sheridan), um jovem de 15 anos que anda desesperadamente à procura de trabalho para sustentar a família. A partir desse momento, uma forte ligação afetiva nasce entre os dois, e Joe decide ser o protetor e mentor do jovem.

O excelente drama independente é dirigido por David Gordon Green, jovem e talentoso cineasta que assinou recentemente a comédia de humor negro Especialista em Crise (2015).

O cenário é o interior americano – que mais parece o fim do mundo -, e o clima é de desolação total. Mas Joe só deseja levar a vida de uma maneira digna em meio a tanta pobreza (social e de espírito). Ele quer fugir de problemas, contudo parece que os problemas o perseguem. Na trama ainda há espaço para a doce Connie (Adriene Mishler), que insiste em tentar ter uma vida normal ao lado de Joe.

Já vida de Gary é um sofrimento só. Vivendo na extrema pobreza em uma casa que mais parece um lixão, tem de conviver com a violência doméstica constante, praticada pelo pai alcoólatra (Gary Poulter), uma mãe desnorteada da vida e uma irmã que não fala nada.

Na pele de Gary, o jovem Tye Sheridan se garante como aquele que aceita os ensinamento da vida. Quase sempre de cabeça baixa, contudo ele tem de reserva um brio no fundo da sua alma. Uma revelação.

 

Vencedor do Oscar por Despedida em Las Vegas (1995), Nicolas Cage vinha se vendendo nos últimos anos à papéis ridículos como Caça às Bruxas (2011), Fúria Sobre Rodas (2011), O Pacto (2011), Motoqueiro Fantasma 2 (2011) e O Resgate (2012), só para citar alguns.

Envelhecido como pede o personagem, aqui ele entrega uma performance sólida como o protagonista Joe. Ele é, no fundo, apenas um homem bom em meio a um pântano social grotesco. Entre divagações em busca do sentido da vida (perdida?) e um sentimento interno de justiça (ou seria vingança?), Joe se torna um tutor acidental de Gary.

Na linha tênue entre o lixo humano e os homens de bom coração, que trabalham duro no dia a dia, Joe quer apenas viver. Mas no microcosmo cercado de ódio, medo e ensopado de violência (física e mental), o clima de fim de linha aponta que o sentimento de tragédia é inevitável.

Filme está disponível em DVD pela Flashstar (preço sugerido R$ 39,90).