Crítica: “Liga da Justiça” é uma bobagem épica com cara de desenho animado

Depois de Homem de Aço (2014), Batman Vs. Superman (2016)Esquadrão Suicida (2016)Mulher-Maravilha (2017), chegou a hora de juntar (quase) todo mundo dos quadrinhos da DC na superprodução Liga da Justiça (Justice League, 2017) de Zack Snyder. Empolga? Nem tanto. É um desastre? Longe disso.

Pois bem… A Warner já havia se apressado em apresentar Aquaman, Cyborg e The Flash em alguns minutos de Batman Vs. Superman, e Liga da Justiça é uma continuação direta da aventura anterior.

A questão é que, à parte o trabalho de Snyder (desnecessariamente grandioso em Batman Vs. Superman), o resultado final bem mais ou menos, se deve muito a um cara chamado Joss Whedon. Em sua ajuda preciosa, o mesmo cara dos dois primeiros filmes dos Vingadores (que acertou em cheio em 2012, e cumpriu tabela em 2015), dirigiu as cenas refilmadas, fez um grande ajuste de roteiro e terminou com um corte de quase 50 minutos do copião original imaginado por Snyder. Ufa.

Ou seja, poderia ser bem pior. Mas tudo bem, vamos lá…

Na trama, acompanhamos um Bruce Wayne/Batman (Ben Affleck) em busca da restauração de sua fé na humanidade, ao se inspirar no ato altruísta de Superman, para combater um inimigo ainda maior, recém-despertado, o Lobo do Estepe. Mas para isso se juntará à Diana Prince/Mulher-Maravilha (Gal Gadot) para recrutar um time de meta-humanos (Aquaman, Cyborg e The Flash), e com a formação de uma liga de heróis sem precedentes, tentarão salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Vocês conseguem ler esse fiapo de roteiro e imaginar algo que tenha alguma engenhosidade ou é capaz de esperar alguma supresa?

Bem, está tudo desenhado para acontecer embates internos até se estabelecer que o mal só será vencido com a união de todos. No caminho vamos encontrar cenas de ação estrondosas e (muitas) piadas enfiadas na boca de Flash (Ezra Miller), mas nem todas funcionam. A presença da Mulher-Maravilha, ninguém tira. Ben Affleck faz um esforço monstruoso para parecer que saber o que faz à frente do time (até admitir que não consegue, né?). Jason Momoa consegue pelo menos dois bons momentos (principalmente o que contém o Laço da Verdade), mas é apenas um coadjuvante. Cyborg (Ray Fischer) tem parte crucial no desenrolar da ação, mas, nem os efeitos para com seu traje, e tampouco a sua presença relevam transformam seu personagem em algo significativo.

E a volta do Superman? Ele retorna, como era esperado no plot inicial, mas infelizmente com pouca (ou nenhuma) emoção. Poxa… O Superman (Henry Cavill) (re)vive para salvar o mundo, e não há uma única cena capaz de arrepiar um cabelo? Sim, esse foi o meu sentimento, ou na verdade, a falta dele. E a história do Homem de Aço parece totalmente deslocada de todo o contexto do longa, assim como a sua (poderosa) relação com Louis Lane (Amy Adams, batendo o ponto).

Com nenhuma surpresa no desenvolvimento da sua história, estamos diante de uma bobagem épica, com um vilão que quer destruir o mundo (de novo?), cenas grandiosas de ação (algumas até difíceis de entender com tanta coisa acontecendo), efeitos especiais até dar uma dor, e falas que são pura explicação, até mesmo do que é visto claramente em tela. Diverte? Até que sim, mas nada que vá mudar o mundo do cinema.

O que eu vi foi uma aventura que (finalmente) reúne os principais heróis da DC Comics, mas apresenta um roteiro infantilóide, simplista e que vai agradar, e muito, a quem tem até 12 anos de idade (nem que seja uma idade mental momentânea ou mesmo permanente). Por muitas vezes me peguei assistindo ao desenho animado dos saudosos Superamigos, com os embates mirabolantes em meio à uma missão específica para se cumprir.

No ranking do novo Universo Cinematográfico DC, não chega a ser um desastre, por exemplo, de um Esquadrão Suicida (2016). E melhora consideravelmente o engasgo de Batman Vs. Superman (2016) e do morno Homem de Aço (2014). Contudo, fica bem distante do agradável sucesso, Mulher-Maravilha (2017).

Ah, temos uma participação do Lanterna Verde, e duas cenas pós-créditos. A primeira é bem divertida, e a segunda, bem mais promissora que o próprio roteiro desse aqui.

Liga da Justiça (2017) é um risco calculado da Warner, que pode até empolgar aos mais ávidos por mais um filme de super-heróis (gostei do uso de temas clássicos de trilhas sonoras anteriores), e que já planta novas aventuras ao vislumbrar a Sala da Justiça com Aquaman, Cyborg, Flash, Mulher-Maravilha, Batman, Superman e muito mais gente. E se o cartaz diz que “você não pode salvar o mundo sozinho”, Zack Snyder sabe que pôde contar com Joss Whedon para salvar o principal produto do Universo Cinematográfico DC até aqui.

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