Crítica: filme de serial killer, “Boneco de Neve” derrete na metade final

Boneco de Neve (The Snowman, 2017) de Tomas Alfredson

Poderia ser até um dos grandes filmes do ano. Baseado em um livro bem urdido (e best-seller) de Jo Nesbo, e com um personagem que tem várias histórias policiais prontas para serem contadas no cinemas.

Um elenco admirável, liderado por Michael Fassbender (o Magneto de X-Men) como detetive Harry Hole, e Rebecca Ferguson (Missão: Impossível 5, 2015) na investigação. Além disso como apoio temos Charlotte Gainsbourg, J.K. Simmons, Toby Jones, e as pontas de Chloë Sevigny e Val Kilmer.

Atrás das câmeras, uma equipe de primeiro escalão. Produzido por Martin Scorsese (Os Bons Companhiros, 1990; e Oscar por Os Infiltrados, 2006); a três vezes vencedora do Oscar, Thelma Schoonmaker é uma das montadoras, ao lado de Claire Simpson – Oscar por Platoon (1986); Dion Beebe é o diretor de fotografia (Oscar por Memórias de Uma Gueixa, 2005); a trilha sonoroa é assinada por Marco Beltrani (Pânico, 1996; Logan, 2017), e o diretor é o mesmo do excepcional O Espião Que Sabia Demais (2011), Tomas Alfredson.

A trama evoca uma investigação policial em Oslo, Noruega, em meio ao desaparecimento de mulheres, que descobrimos depois que são assassinadas por um serial killer que tem como assinatura, um boneco de neve. O mais impressionante é perceber que, temos uma primeira metade muito bem filmada, com direção elegante, tensão na medida certa, fotografia belíssima, personagens apresentados, inclusive com a possibilidade de vários suspeitos em potencial, mas… Mas logo em seguida, o que era sólido, se desfaz feito gelo em contato com o fogo. Na verdade, a coisa mais surpreendente sobre a adatpação cinematográfica, é como uma obra com tantas pessoas talentosas envolvidas, se desfaz na metade final de forma vergonhosa.

Há um conjunto de ações desastrosas inacreditáveis, das quais posso citar, por exemplo, como Rebecca Ferguson pode atrair o assassino e ainda conseguir filmar tudo sem nada lhe acontecer? Michael Fassbender, saiba que não dá para simpatizar com o seu “herói”, que é apresentado com tanto background, mas se perde em meio da investigação em várias ocasiões. Mais, há o desperdício dos personagens em cena (J.K. Simmons é apenas um tarado? Chloë Sevigny faz gêmeas fazendeiras; Toby Jones o policial limitado; Mas o que dizer de Val Kilmer (policial Rafto)? E principalmente Charlotte Gainsbourg (Anticristo, 2009), como a ex do protagonista, totalmente perdida…

A principal falha do trama, é que após uma boa construção de um quebra cabeça aparentemente inteligente, assume-se uma total incoerência em ação, personagens, e até mesmo como se resolve o embate final. Temos um assassino que esquece do seu modus-operandi, além é claro de uma explicação total antes do fim (com direito à flshbacks para explicar o que já está explicado), e uma resolução risível – como colocar alguém fora do quadro em acampo aberto, e seu openente não o enxergar?

É de doer, e se sentir no mínimo, decepcionado.