Crítica: “Cinquenta Tons de Liberdade” é mais ação e menos erotismo

Cinquenta Tons de Liberdade (Fifty Shades Freed, 2018) de James Foley

Com cenas de perseguição sob quatro rodas, invasões e sequestro, Cinquenta Tons de Liberdade (Fifty Shades Freed, 2018) tem menos erotismo e mais ação. Ainda assim, é só mais um daqueles filmes que seduzem expectadoras através da ilusão do multimilionário muito bonito e apaixonado, que proporciona uma vida de prazeres à amada. Todas essas características fazem com que a trilogia como um todo, seja mais fantasiosa que os filmes de princesa da Disney.

Já na primeira parte, fica muito claro que a intenção dos realizadores não é contar uma boa história. Mas apenas reforçar estereótipos de mulher objeto e enaltecer a ideia de que vida boa é apenas a de quem tem muito dinheiro. Neste terceiro longa, Anastasia (Dakota Johnson) não seria mais a dominada. Além de conquistar de vez o companheiro, ganhou tudo o que o conservadorismo impõe como os desejos que as mulheres devem ter.

Agora, ela é dona da casa, agrada o marido preparando a comida, tem ‘permissão para dirigir um Audi em alta velocidade’ e coloca a arquiteta folgada, uma possível “amante de ricaços”, no devido lugar. O filme começa pelo casamento seguido da lua de mel dos sonhos em Paris. Tudo é tão perfeito que só poderia ser ameaçado, é claro, por fatores externos. Ou seja, pela inveja de quem não faz parte daquele mundo.

Daí, entram não apenas elementos como daquela arquiteta sedutora (só para “encher linguiça”), mas também o vilão em si. A empresa de Christian Grey (Jaime Dornan) é invadida pelo ex-chefe de Anastasia, Jack Hyde (Eric Johnson), que rouba informações de segurança. Por isso, a lua de mel é interrompida, pois o sonho na Sala dos Espelhos de Versalhes está ameaçado pelo eminente ataque do cara que foi rejeitado.

Christian e Anastasia são um casal tão intenso que nem as injeções de anticoncepcional foram capazes de evitar a gravidez (só pode ser pra rir). Se em Cinquenta Tons de Liberdade temos um filme menos “quente”, talvez seja pela intensão de mostrar que o casamento esfria as paixões. O sadismo praticamente some e a nudez ficou tão banal que agora aparece, além das cenas de sexo, nas brigas conjugais.

Para manter a chama constante, Grey continua dando presentes extravagantes. Em determinado momento, o protagonista controlador e insensível aparece, estranhamente, cantando e tocando Maybe I’m Amazed ao piano. Como assim? Nitidamente, uma tentativa forçada de torná-lo mais romântico e amável. Afinal, não bastam todos os clichês de muito rico e bonito. Enfim, precisa ser “perfeito”.

Apesar de muitas cenas desconexas, que em nada contribuem para o roteiro, temos aqui o melhor, ou menos mal, dos filmes da trilogia. Com certeza, o mais bem dirigido dentre eles. A tentativa de explorar um lado mais de ação traz certa adrenalina, mas termina sem surpresas. O interesse da obra é iludir mulheres, fazer com que elas saiam do cinema sonhando com a aparição de um Christian Grey na vida delas.

Enfim, para o que se propõe, a adaptação da obra de E.L. James que fecha a sua trilogia depois de Cinquenta Tons de Cinza (clique para ler a crítica), e Cinquenta Tons Mais Escuros (clique para ler a crítica), Cinquenta Tons de Liberdade é bem sucedido. O motivo é que consegue arrancar suspiros e excitações ao longo da exibição à aquelas que desejam um príncipe encantado milionário, fazendo com que a maior parte dos expectadores saia satisfeita ao fim da sessão. Afinal, o filme é uma fantasia clara com o objetivo de fazer um público alvo específico fugir da realidade e agrada a quem gosta da temática. Mas quem ainda cai numa dessa?