Videoclube: Sessão de descarrego

Domingo. Dezoito horas. Momento de descarrego.

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Sessão descarrego (FOTO: arquivo pessoal)

por Gustavo A. Vieira*

Há cerca de um ano um grupo de amigos se reúne semanalmente para ver filmes não-comerciais. A iniciativa de criar a ‘Sessão de Descarrego’ veio da estudante Valônia Lemos, que decidiu criar uma comunidade no Facebook e reunir as pessoas em torno do cinema alternativo no sofá de sua própria casa.

“Nós já fazíamos parte do site Making Of e trocávamos algumas ideias sobre os filmes que assistíamos. Daí sentimos a necessidade de fazermos reuniões coletivas para não só ver, mas para também falar sobre os filmes”. O termo descarrego, segundo Valônia, vem de ‘descarga’, a tradução de ‘download’, uma vez que os filmes exibidos são baixados livremente da Internet.

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Sessão descarrego (FOTO: arquivo pessoal)

Votação

O que poderia ser um simples hobby se transformou em hábito. “Nunca repetimos filme aqui na sessão. Em alguns casos, exibimos filmes que alguns já tinham sido visto individualmente por alguém do grupo”, explica Raíssa Borges, uma das integrantes. “A gente prioriza filmes dramáticos, documentários, de temática polêmica. Ou seja: os chamados filmes de arte, complementa o participante Elison Valentim.

O grupo escolhe dois filmes para serem votados pela página no Facebook. “Na segunda-feira, a gente coloca lá a sinopse de cada um com três ou quatro imagens. Os seguidores da página comentam e discutem os dois. No domingo seguinte, antes da sessão, a gente avalia os comentários e faz a escolha de qual filme será exibido”.

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Sessão descarrego (FOTO: arquivo pessoal)

A página tem mais de 100 seguidores. Contudo, cerca de vinte pessoas participam ativamente das sessões. “Muita gente curte os filmes mas mora longe e não pode vir. É até bom porque não temos uma estrutura grande o suficiente para receber muita gente“, justifica Valônia Lemos. De fato, a estrutura é mínima. Afinal, as sessões acontecem na casa da estudante.

“Usamos um televisor LCD de 29 polegadas, um sistema de som com cinco canais e um notebook com conexão HDMI”, diz. Porém, o grupo pretende ampliar a iniciativa para espaços maiores. Já houve uma conversa com o grupo Crítica Radical, que possui uma sala no Centro de Humanidades da UFC e que poderia sediar as sessões com um número maior de pessoas. E, como alguns membros do grupo estudam na Unilab, em Redenção, existe a intenção de levar a ‘Sessão de Descarrego’ para a cidade.

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A Arte do Pensamento Negativo (FOTO: 2006/divulgação)

Os momentos de ‘descarrego’ são bem descontraídos. “A gente discute os aspectos técnicos e artísticos do filme antes, durante e depois das sessões”, lembra Raíssa Borges. “Não é costume pausar o filme, mas já aconteceu porque tinha polêmica demais”. complementa.

É permitido fumar e quase sempre a gente abre um bom vinho para acompanhar os filmes”. O site NAS PRATELEIRAS acompanhou uma sessão do filme A Arte do Pensamento Negativo (Kunsten å Tenke Negativt, 2006) uma comédia surrealista da Noruega. Faltou só a pipoca. Mas, quem liga?

Perfil

“Estava sem vontade de ver e acabei me surpreendendo com o SLC Punk (EUA, 1998). Consegui me divertir no começo com as festas e as brigas. Ao longo da estória, o filme foi me mostrando nuances mais sombrias de uma vida despreocupada e ‘livre’, até chegar ao impacto final de que não importa para qual lado você se vire, não há como fugir do sistema. O estilo melancólico dos anos 80 é o melhor”.

Armando Barbosa, universitário e participante das sessões

Gustavo Vieira é jornalista e produtor da rádio Tribuna Band News FM 101,7 (Fortaleza-CE).