Um Sonho Possível (The Blind Side)

Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009) - FOTO: Warner/divulgação
Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009) – FOTO: Warner/divulgação

 

Um Sonho Possível The Blind Side, 2009) de John Lee Hancock

O filme: baseado na história real da socialite Leight Anne (Sandra Bullock), que adotou um adolescente negro e o transformou em astro de futebol americano, a obra de John Lee Hancock tenta relacionar um drama pessoal com o futebol americano.

Porque assistir: Sandra Bullock ganhou o Oscar de melhor atriz (e o Globo de Ouro de atriz-drama). O filme concorreu ainda ao Oscar de melhor filme. Para quem curte uma história real, pode funcionar.

Seu início busca explicar tudo através da teoria do “Lado Cego” no futebol americano, para a vida, com uma narração em off que explora o sotaque caipira da personagem de Bullock. Mas…

Melhores momentos: somente muita ingenuidade para engolir nenhum tipo de aprofundamento dramático.

A atuação premiada da esforçada Sandra Bullock (e seu sotaque que vai e vem) tem uma única boa cena. Acontece quando a perua oxigenada entra em campo, de minissaia, salto alto e óculos escuros e puxa o grandão pela camisa. Aí explica que seu time é como sua nova família, e então que o proteja da mesma forma. Só isso e nada mais.

Pontos fracos: seu discurso de frases feitas chega a dar náuseas de tão patéticos (“não fui eu quem mudou a vida dele, foi ele que mudou a minha”; “nunca teve um quarto? Não nunca tive uma cama”… Entre outras).

E a falta de importância a presumíveis conflitos são traduzidos em nada, como o provável problema com a irmã mais velha (sem atitude), ou a batida de carro, em que o garoto é a menor das preocupações, por sinal, mal conduzida e previsível.

Se o foco também é o grandalhão adotado (e abobalhado), apelar para as situações que envolvem seu mais novo irmão, pequenino, que insiste em treiná-lo é óbvio. É a velha situação física entre o gigante e a criança. E tome música e edição de imagens… E até o imbróglio envolvendo a escolha de time e a provável indicação de favorecimento por conta da família rica da protagonista é diluída em nada. Uma bela porcaria que não chega a lugar nenhum. Não atinge mente nem coração.

Na prateleira da sua casa: não há nenhum tipo de aprofundamento de personagens, principalmente da própria protagonista. Quem ela é? Quais são suas motivações? E com uma preocupante constatação, de que para ela, o dinheiro acaba comprando tudo. Principalmente a felicidade alheia. Seu “filho” Big Mike (Quinton Aaron) é um dos piores que já vi em cena. Ele não atua, e pelo seu tamanho eu poderia confundi-lo até com uma parede.

Imagine TODOS os clichês do mundo de uma história real sobra uma adoção incomum. Exatamente os piores e mais previsíveis clichês que existem. Adicione tiradas irônicas de Bullock, com a intenção de amenizar o drama. Intenção não concretizada, pois além de repetir caras e caretas, onde não se distingue drama da comédia, nem mesmo há situações dramaticamente fortes o suficiente para emocionar.

Termo vetor - segunda versão - DEITADA - 2