“Relatos Selvagens” é genial e prova que o cinema argentino é melhor que o do Brasil

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, 2014) de Damián Szifrón

O filme: diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie.

São seis as histórias, todas independentes. Na ordem, “Pasternak”, sobre um ato de vingança inesperado; “As Ratazanas”, um doloroso reencontro com o passado/ajuste de contas; “O Mais Forte”, sobre a extremo em que podemos chegar quando cutucados em uma situação limite; “A Bombinha”, onde um pequeno detalhe cotidiano é capaz de empurrar um cidadão para o descontrole; “A Proposta”, quando uma tragédia revela outras tintas do ser humano; e “Até Que a Morte nos Separe”, qaundo uma traição amorosa eclode em meio à um casamento.

Porque assistir: filme episódico genial, levou à Argentina até a indicação de filme estrangeiro em 2015. Recordista de indicações ao prêmio da Academia Argentina de Cinema, Ciência e Artes, com 21 nomeações, a obra venceu 10 estatuetas, incluindo filme, diretor, roteiro original. ator (Oscar Martínez, o milionário da proposta) e atriz (Erica Rivas, a noiva).

Relatos Selvagens é uma obra espetacular, que mexe com muitas emoções do espectador. Há suspense, drama, comédia e tragédia. Tudo junto, e muito bem azeitado por seu jovem e energético diretor, Damián Szifrón. A obra é apenas mais uma constatação que cinema argentino vai muito bem, obrigado, e ganha, de longe do nosso nacional.

Melhores momentos: a história inicial – “Pasternak” – que se passa dentro de um avião, já se diz logo ao que veio. Diálogos ácidos, rápidos, histórias que levam o ser humano ao limite extremo do animalesco (como sua abertura sutilmente entrega, afinal somos todos animais), violência, humor negro, conflitos físicos e mentais… Prepare-se para ver algo como Almódovar (que é produtor do filme) encontra Tarantino.

O último conto, que se passa num casamento cinematográfico, é incrível. Ganha contornos trágicos, cômicos, e ganha pontos extras com a entrega de sua protagonista, Erica Rivas. Outro que destrói, com uma atuação estrondosa é Oscar Martínez, um milionário que tem de costurar com seu advogado uma proposta indecorosa a respeito de um crime.

Pontos fracos: não existem.

Na prateleira da sua casa: disponível em DVD, Blu-ray e Cópia Digital pela Warner, a fita oferece entre os extras um especial sobre os bastidores, chamado de Rodaje Salvajes. Além do diretor e roteirista Damián Szifrón, quem se faz presente é o produtor espanhol, Pedro Almodóvar, boa parte do seu elenco, e um momento revivido pelo filme em Cannes (indicado à Palma de Ouro), quando foi aplaudido de pé após a exibição.

Ah, e de bônus, temos o sensacional Ricardo Darín como o engenheiro “Bombinha” de Buenos Aires, revoltado contra o sistema, e com razão. Um filme para se ver e rever. E de novo, e de novo.