“O Passado” é um belo e silencioso círculo de paixões

O Passado (El Pasado, 2007) de Hector Babenco

Depois de encher os bolsos com o regular Carandiru (2003), Hector Babenco retorna ao campo do drama romântico com O Passado (El Pasado, 2007), um filme silencioso, provocativo e com uma bela interpretação de Gael García Bernal.

Depois de uma união de 12 anos, jovem casal decide separar-se. Rimini (Gael García Bernal) quer viver uma nova vida, conhecer outras pessoas e ter novas experiências, enquanto Sofia (Analía Couceyro) não consegue se desvencilhar da antiga paixão.

O desenvolvimento do longa passeia sempre pelo círculo de paixões de Rimini (Bernal), e joga com as infinitas probabilidades que podemos passar ao nos envolvermos com outra pessoa. E mesmo sabendo que o passado é sempre um bloco que não podemos separar, ainda não temos a certeza se o fim é sempre o começo ou o começo é sempre o fim do que está por vir. E mesmo assim nós tentamos amar, nos apaixonar ou simplesmente nos acostumamos com a situação?

Adaptado do romance de Alan Pauls, o roteiro tem diálogos ao mesmo tempo interessantes e um clima de realidade impressionante, onde Babenco utiliza a trilha sonora apenas em momentos cruciais. O filme inteiro é conduzido pelos olhares e silêncios de Bernal, com uma bela ajuda e entrega dramática da nariguda Analía Couceyro como a apaixonada, mas nada apaixonante Sofia.

O Passado transita entre o drama do dia-a-dia e o romance emocional de seres humanos comuns. Com todos seus erros e sensações incautos em atitudes que podem levar à libertação da alma apaixonada ou aprisionar tudo que é sentimento em outra pessoa.

Hector Babenco

Indicado ao Oscar de filme e direção por O Beijo da Mulher-Aranha (1985), Hector Babenco nasceu na Argentina, mas é radicado no Brasil. Já concorreu a Palma de Ouro em Cannes pelos filmes Carandiru (2003), Coração Iluminado (1996) e O Beijo da Mulher-Aranha (1985). Dirigiu também Pixote – A Lei do Mais Fraco (1981), Ironweed (1987) e Brincando nos Campos do Senhor (1991).

Gael García Bernal

Vencedor de um prêmio especial (o Troféu Chopard) em Cannes como ator revelação em 2003, venceu em Veneza o prêmio especial Marcello Mastroianni por E Sua Mãe Também (2001). Bernal foi indicado ao BAFTA de ator por Diários de Motocicleta (2003), e ganhou outros prêmios internacionais pelas atuações em Amores Brutos (2000), O Crime do Padre Amaro (2002), A Má Educação (2004) e Babel (2006).

Texto originalmente publicado no O Povo Online, em 28/11/2007