O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (The Hobbit – An Unexpected Journey)

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (FOTO: Warner)

O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (The Hobbit – An Unexpected Journey, 2012) de Peter Jackson

O filme: o tranquilo Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), um Hobbit que mora na paz do Condado da Terra Média, é abordado pelo mago Gandalf (Ian McKellen) para que ele empreenda uma grande aventura ao lado de 13 anões de Erebor. O objetivo é o de cumprir a profecia da reconquista do reino de Erebor e suas riquezas, tomado pelo Dragão Smaug.

Nessa aventura, o Hobbit terá o papel do ladrão da comitiva, para realizar os trabalhos difíceis e arriscados, com a peculiaridade de não conseguir ser farejado pelo poderoso dragão. Nessa longa, valorosa, perigosa, divertida e por (muitas) vezes arrastada viagem, Bilbo e os anões encontrarão com trolls, wargs, orcs e, finalmente, com Gollum, o dono original do poderoso Um Anel.

Os roteiristas Fran Walsh, Philippa Boyens, Guillermo DelToro e Peter Jackson fatiaram as 296 páginas em três filmes. Incorporam as notas e material inédito deixados por J. R. R. Tolkien, apêndices e até histórias de outras obras inacabadas, além de usar pensamentos, flashbacks e contos por trás de todo o escopo principal em sequências, numa forma de alongar a obra.

Porque assistir: diante da missão de nos levar de volta à Terra Média, Peter Jackson decidiu adaptar também O Hobbit, o livro que antecede em 60 anos os fatos da Trilogia de O Senhor dos Anéis (A Sociedade do Anel, 2001; As Duas Torres, 2002; O Retorno do Rei, 2003). Bem vindo de volta, com a primeira parte da nova Trilogia, indiscutivelmente um bom espetáculo, no entanto carrega consigo algumas questões que merecem ser abordadas.

O selo de qualidade de Peter Jackson está em todos os quadros de mais uma obra esteticamente impecável, como uma colagem de pinturas vivas em formato de aventura épica, mas que por vezes insiste no tom infantil. Fantasia, algumas belas sequências de batalhas e seus campos dotados de infinitas belezas. Está tudo aqui.

Melhores momentos: Gollum está ainda mais vivo, saltando da tela numa atuação (em capturas de movimento) esplendorosa de Andy Serkis. Cada movimento, cada sensação, cada suspiro, está tudo pulsando na tela, num Gollum de intensidade sem igual, aprisionado em seu próprio ser repugnante. A sequência inesquecível de enigmas é uma batalha de sagacidade travada por Gollum e Bilbo Bolseiro, com desdobramentos, como sabemos, que mudarão para sempre a Terra Média, incluindo o certo Um Anel.

Pontos fracos: sua narrativa é muito falha, com uma estrutura completamente solta. No início há a narração em off do velho Bilbo, para depois simplesmente desaparecer para dar lugar à várias historietas. Existem relatos, flashbacks, explicações em cima de explicações sobre vários personagens, dois prólogos (pois é…) e, a não ser pelo encontro com Gollum e duas batalhas, nada de extraordinário acontece. Muito fica no ar, como um gancho para o seu segundo episódio.

O novo personagem, o mago Radagast, o Castanho (Sylvester McCoy), é apaixonado por animais e natureza. Junto com alguns anões ele se torna um alívio cômico, quase sempre forçado e sem graça. Apesar de visualizar Necromante, que estará presente no futuro da trilogia, seu papel se transforma num embaço. Sua charrete puxada por coelhos, sua devoção à natureza e todas as suas outras aparições, são dignas de um cochilo.

O tom excessivamente leve do longa é algo que também incomoda. As músicas dos anões, a risível (negativamente) sequência do banquete acidental na casa de Bilbo, que culmina com uma vergonhosa ação que envolve pratos e brincadeiras tolas entre os anões, só para abusar o tão organizado Hobbit.

A história é apresentada sem sangue (apesar das intensas batalhas) e aborrece em suas tentativas bobas de provocar o riso fácil. Muito humor físico (desnecessário), roncos, arrotos, entre outras situações. O livro é mais adolescente que todos os outros ‘Senhor dos Anéis’, mas a tolice vai além, uma vez que o diretor não se decide se mergulha de vez no tom jovem ou se gosta mais de flertar com o épico brutal da trilogia original.

Na prateleira da sua casa: a abertura se passa exatamente no início de A Sociedade do Anel, com Frodo perguntando o que Bilbo escreve… É muito reconfortante rever personagens que se tornaram icônicos no cinema. Exatamente como uma sombra (ou um peso) da trilogia d´O Senhor dos Anéis.

É perceptível que tudo que remete à trilogia original dá uma força maior ao novo Hobbit. Das aparições dos elfos Elrond (Hugo Weaving) e Galadriel (Cate Blanchett), e do mago Saruman (Christopher Lee) em conversas políticas com Gandalf, até o seu mais extraordinário momento: a sequência de encontro e enigmas de Gollum, e por fim, o Um Anel. Cenas primorosas, fazendo uma sensação boa ecoar na alma.

Na posição de obra inicial cumpre a função de apresentar personagens, definir foco e convidar novamente o público para uma viagem à Terra Média.

Termo vetor - segunda versão - DEITADA - 7