Nicolas Cage, o cinquentão

A partir do dia 7 de janeiro, Nicolas Cage entra para o clube dos cinquentões. São 50 anos de idade, 72 créditos no cinema atuando, 11 como produtor e um filme como diretor (Sonny, O Amante, de 2002). Vencedor do Oscar de melhor ator pelo tão triste quanto belo Despedida em Las Vegas (1995), nasceu Nicolas Coppola – é sobrinho do diretor Francis Ford Coppola – e como fã de quadrinhos adotou o Cage (inspirado no herói Nick Cage) como sobrenome.

E por falar em HQs… De 1996 até o ano de 2001, a Warner tentou decolar a produção de “Superman Lives”, com inúmeras versões de roteiro e vários diretores envolvidos. Quando Tim Burton esteve no projeto, entre 1996~97, o protagonista seria Nicolas Cage, que até experimentou a roupa do herói em testes de figurino.

Estranho, bizarro e esquisito

Antes de ser agraciado com o prêmio da Academia, Cage construiu uma carreira que varia entre tipos bizarros, exagerados e abobalhados. Chegou a ponto de até comer uma barata de verdade numa cena de Um Estranho Vampiro (1988). Antes de ser astro, tem no currículo uma fita de ação e suspense alternativa, mas pouco vista, Red Rock West – Morte por Encomenda (1993). Após vencer o Oscar (e o Globo de Ouro) realizou um dos grandes sonhos e se tornou uma espécia de “herói de ação” em Hollywood. E além da ação, Cage também possui alguns dramas dignos em sua filmografia.

Arte: Tiago Leite
Arte: Tiago Leite

 

Nicolas Cage tem também uma queda pelo trash, e após se endividar com o fisco americano, desandou a fazer qualquer porcaria. Na lista dos seus piores filmes estão O Sacrifício (2006); Motoqueiro Fantasma (2007); O Vidente (2007); Perigo em Bangkok (2008); Caça às Bruxas (2011); Fúria Sobre Rodas (2011); O Pacto (2011); Reféns (2011); Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança (2011); e O Resgate (2012).

Arte: Tiago Leite
Arte: Tiago Leite

 

Entre esse lixo todo, Cage estrelou dois grandes sucessos de bilheteria, A Lenda do Tesouro Perdido (2004) e sua continuação, A Lenda do Tesouro Perdido – Livro dos Segredos (2007), duas aventuras inofensivas. Além de uma tentativa de nova franquia mágica com a chancela Disney, O Aprendiz de Feiticeiro (2010), sem êxito. Um dos maiores sucessos de bilheteria de 2013 é animação Os Croods, sobre uma família das cavernas, no qual ele dubla o papai Crood.

Mas para dizer que esta fase só traz tranqueira, ele também acertou em algumas produções. Detona como protagonista da história real de O Senhor das Armas (2005), enternece no drama O Sol da Cada Manhã – O Homem do Tempo (2005), enlouquece em Presságio (2009), se chapa no remake Vício Frenético (2009), e se diverte com a violência de Big Daddy em Kick-Ass: Quebrando Tudo (2009).

 

Arte: Tiago Leite
Arte: Tiago Leite

 

Dizem que há uma esperança de um grande retorno no drama Joe (2013/2014), bem recebido no último Festival de Veneza. Se a vida começa depois do cinquenta, resta Nicolas Cage provar, pelo menos na tela que esse ditado é possível.

Curiosidades

  • Em Coração Selvagem (1990), Con Air – A Rota da Fuga (1997) e O Resgate (2013), Nicolas Cage sai da cadeia depois de alguns anos para encontrar o filho no primeiro e as filhas nos outros dois. Como presente para as três respectivas crianças, um bichinho de pelúcia para cada;
  • Em Coração Selvagem (1990), Nicolas Cage canta “Love me Tender”, música de Elvis. Em Lua-de-Mel a Três (1993), Cage se veste de Elvis Presley;
  • Ao contar uma história pervertida em Coração Selvagem (1990), Nicolas Cage menciona a frase: “Venha morder o seu pêssego“, se referindo ao ato sexual. Em A Outra Face (1997), Cage mira para uma aeromoça e pede “chupe meu pêssego“;