Melancolia (2011) é o fim do mundo pelas lentes de Lars von Trier

Melancolia (Melancholia, 2011) de Lars von Trier

O filme: uma obra sobre romance, tristeza, família e o fim do mundo. A Terra será consumido pela Melancolia. Não apenas pelo planeta que se chocará. De verdade. Tudo em três atos: o resumo em tom artístico, depois em duas partes: Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg).

Porque assistir: Justine personifica a justa. A razão. Mas com as raízes presas ao seu sentimento de profunda melancolia, que não consegue mudar. “Eu tentei, eu tentei. Sorri, sorri e sorri. Mas eu não consigo”. Diz entre lágrimas e soluços. Nunca recebe compreensão, pois tudo que os personagens ao seu redor falam é de uma possível felicidade (inventada).

“Eu só quero que você seja feliz. Você está feliz? Sim? Está tudo bem então.” Insiste o cunhado (Kiefer Sutherland, bem). Claire é a clara. A sensibilidade em pessoa, mas sempre presa as convenções estabelecidas pela vida. Desespera-se com o possível fim, se preocupa com o não futuro do filho e ludicamente convida a irmã para uma última taça de vinho (uma evocação da última ceia?).

Melhores momentos: a fotografia surrealista é perfeita, quase inteiramente cinza, e belo. Quando há cores são mortas, em tons envelhecidos, borrados. Tudo em sintonia com o roteiro, o fim, a morte, um clima borrado. Até mesmo a festa é representada com um ar de decadência, apesar da elegância e de sua declarada pompa.

A câmera na mão complementa o clima de verdade do drama realístico, que traz a fantástica interpretação de Dunst e a ótima performance de Gainsbourg.

Pontos Fracos: emocionalmente uma grande experiência. É um filmão, e, com menos 20 minutos seria perfeito. A contemplação é digna, válida. Mas por vezes a mensagem já está explicita. Desenhar talvez não seja preciso. A mensagem é clara.

Na prateleira da sua casa: um olhar para o horizonte. Um simples ato de cortar galhos, gravetos. Uma mãe desesperada corre com o filho nos braços. Na dança da morte um planeta engole, esmaga, destrói a Terra.

Pinturas vivas abrem e resumem o belo, intenso e verdadeiro Melancolia, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, e deu o prêmio de melhor atriz para Kirsten Dunst. Para Lars von Trier a terra já era, mas até o fim ainda há o amor, nem que seja numa barraca imaginária com gravetos, feitos com os mesmos galhos do início e que pareciam ser tão ordinários.

Extras:

Cena 1

Cena 2

Cena 3

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