“Histórias Cruzadas” é um sonífero bem produzido

Histórias Cruzadas (FOTO: Disney/Buena Vista/Dreamworks/divulgação)

Histórias Cruzadas (The Help, 2011) de Tate Taylor

O filme: a trama aborda as diferentes visões das empregadas domésticas numa sociedade norte-americana (racista) do sul, em meados dos anos 60. A junção das tais histórias cruzadas das domésticas se dá através de uma jornalista (Emma Stone, ok) que as transformam num livro popularesco de sucesso.

Porque assistir: uma ótima atuação de Jessica Chastain, que abraça o exagero e se assume como uma caricatura de perua brega, mas de coração bondoso. Viola Davis foi indicada ao Oscar, mas num papel de uma sofredora mor.

Melhores momentos: o desabafo de Jessica Chastain (indicada ao Oscar de coadjuvante) e a trilha sonora incidental, que incluem canções de Bob Dylan e Johnny Cash.

Pontos fracos: a atuação exagerada da vencedora do Oscar de coadjuvante, Octavia Spencer, como a espevitada empregada Milly, a fazedora de tortas de chocolate (?!), numa piada que é contada e recontada zilhões de vezes, em situações e com pessoas diferentes.

Na prateleira da sua casa: maniqueísta. Artificial. Exagerado. A obra grita em forma de caricatura (e na personagem de Bryce Dallas Howard) com seu tom colorido e tortas de chocolate (!?).

Insiste em divertir com as histórias difíceis, onde o tema racismo é tratado com tanta leveza que parece um sofrimento irreal. Inclua algumas pequenas vinganças (as privadas e o uso dos banheiros e a piada da torta) e acusações de lado a lado. Histórias CruZZZadas é um sonífero – vide a canção “The Living Proof” por Mary J. Blige, indicada ao Globo de Ouro de melhor canção.

 

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