Gary Oldman brilha e Demi Moore é o elo mais fraco de “A Letra Escarlate”

A Letra Escarlate (The Scarlet Letter, 1995) de Roland Joffé

Superprodução de U$ 50 milhões, o drama foi feito pensando em prêmios e bilheteria certeira. O texto é clássico, baseado na obra de Nathaniel Hawthorne, o elenco de grande calibre, o diretor respeitado e a produção não esconde seu valor com cenários grandiosos, locações bonitas e figurinos exuberantes. Mas a 5ª versão de A Letra Escarlate (The Scarlet Letter, 1995) se mostra uma adaptação livre, modifica seu final e escolhe um novo caminho para uma história que versa sobre o puritanismo e ritos sociais do século passado.

Nos EUA de 1666, a bela Hester Pryne (Demi Moore), casada com o médico Roger Chillingworth (Robert Duvall), chega em Bay Colony, Massachussetts, na frente do marido, com a incumbência de providenciar um lar para o casal. Quase que imediatamente, ela o reverendo Arthur Dimmesdale (Gary Oldman) se apaixonam. Mesmo com o romance no peito e a pele esquentando de desejo, eles conseguem – em um primeiro momento – reprimir tais emoções. Mas quando se supõe que seu marido foi morto pelos índios, Hester se entrega ao reverendo. O resultado é uma condição socialmente marginalizada, e passa então a portar um “A” de adúltera bordado em cores vermelhas em suas roupas, como símbolo de sua vergonha perante a sociedade local.

Seu elo mais fraco é sua protagonista. Demi Moore não equilibra seu sentimentos – superficiais na variação dramática e a dor do romance instalado em seu peito – com o desejo e entrega sexual ao reverendo. Fisicamente vai bem, seduz até, mas suas falas são jogadas na tela em um tom distante daquele contexto puritano e severo.

O melhor em tela, e que segura a regularidade da trama, é Gary Oldman (Robocop, 2014). Seu reverendo feito com amor, entrega e de bons momentos, seja em seus discursos provocativos ou em olhares de flerte ao seu grande amor.

Completando o elenco os veteranos Robert Duvall (O Juiz, 2014), que insiste em dramatizar além da conta em sua leitura, Joan Plowright (Um Sonho de Primavera, 1991) e Robert Prosky (O Último Grande Herói, 1993).

Com dois filmes indicados ao Oscar de filme e direção – A Missão (1986) e Os Gritos do Silêncio (1984) – Roland Joffé carregava a responsabilidade da refilmagem. Com alterações flagrantes no texto, o romance é apenas regular, e não encontra exatamente o brilho esperado.

Como curiosidade, o livro de Nathaniel Hawthorne foi originalmente publicado em 1850, e as outras adaptações estrearam em 1917, 1926, 1934 e 1972. Até então inédito em DVD no Brasil, o romance é um lançamento da Classicline, tendo como extras uma galeria com seus cartazes originais, fotos e trailer de cinema.