Entrevista: jornalista, escritor e cineasta Fábio M. Barreto

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Fabio M. Barreto (FOTO: arquivo pessoal/divulgação)

O escritor, jornalista e cineasta Fábio M. Barreto lança e autografa seu primeiro livro “Filhos do Fim do Mundo” neste sábado, 20, em Fortaleza. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, o autor fala um pouco da sua trajetória, de como é morar e trabalhar com entretenimento em Los Angeles, e claro, sobre a expectativa do lançamento do seu livro na capital cearense.

Tribuna do Ceará: vamos falar um pouco sobre o sua carreira, livro e o evento de sábado, 20. Se formou em jornalismo, escreveu nos jornais de São Paulo, conta sua trajetória?

Fábio M. Barreto: então, bem resumidamente, fui criado na redação do Estadão, em SP, desde o primeiro ano da faculdade. Não larguei mais e fui me apaixonando por literatura de ficção científica. Lá, tive um chefe nerd que me deu A Fundação, de Isaac Asimov, que me inspirou.

Acabei chegando até o Caderno 2, o caderno de Cultura, por conta dessa paixão por cinema, coisas nerds (bem antes delas serem populares) e literatura de ficção. Star Wars sempre foi minha grande paixão, conheci minha esposa por conta disso e aprendi inglês para ver os filmes sem legenda.

De lá fui para o Jornal da Tarde e, depois, comecei a trabalhar na revista dos sonhos, a Sci-Fi News. Fui assessor de imprensa da CNN por 7 anos, depois voltei pra Sci-Fi como editor e repórter especial. Passei mais um ano como assessor, na Playarte Filmes, e de lá decidi ir para Los Angeles, onde estou há 5 anos como correspondente.

TdoC: porquê foi pra Los Angeles? Foi apostando ou tinha algo certo nos EUA?

FMB: vim apostar, percebi que havia uma brecha. Ninguém cobria L.A. para os impressos. Fechei alguns trabalhos freelancers fixos e meti as caras. Foi arriscado demais.

TdoC: mas deu certo, sempre leio tuas matérias…

FMB: deu muito certo nos primeiros dois anos, aí o jornalismo começou a declinar. Estive nas primeiras levas de cortes em muitos freelas. A relação com o correspondente mudou, o Skype mudou tudo, as entrevistas genéricas ganharam força, e estar em L.A. não era mais algo realmente importante. Especialmente por custos. Por isso resolvi encarar o cinema e a literatura, ampliar os horizontes..

TdoC: sei que estava rodando um curta, “The Flower Shop”. Como avalia a experiencia?

FMB: já filmei três curtas. “The Flower Shop” é o terceiro, que está sendo financiado por crowdfunding (ou financiamento coletivo, que consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas). Entretanto, como não conseguimos toda a verba, estou transformando o curta num roteiro de longa e vamos usar a verba para fazer outro filme, até o momento chamado de “The Lonely Cell”.

Isso aconteceu por conta do filme ser caro. Acredito que o Brasil PRECISA apostar em filmes de gêneros mais amplos como guerra, ficção científica, biografias e etc. “The Flower Shop” tem segmentos bem grandes na Segunda Guerra e isso encarece demais. Mas a melhor coisa no processo foi perceber que o Brasil pode investir dessa maneira (mais de R$ 20 mil arrecadados) e que há interesse em filmes diferentes chegando ao mercado.

Capa Filhos do Fim do Mundo
Filhos do Fim do Mundo (FOTO: divulgação)

TdoC: Fala um pouco sobre seu primeiro livro, “Filhos do Fim do Mundo”. Como foi escrevê-lo? Quais são suas referências?

FMB: a vantagem de escrever um livro, é que posso contar a história que quiser com orçamento zero! Então, certa noite, resolvi apostar nessa área. Escrever ficção científica foi a decisão óbvia, aí pensei numa história atual e que tivesse ligação comigo.

Pensei nas coisas com as quais me importo para imaginar um fim do mundo. Na hora, pensei numa vida sem a minha filha. Bingo, consegui a história certa. Por ser jornalista, escrever fácil é uma obrigação, não é?

Quanto a referências, é uma coisa complicada de citar. Pois há tantos autores que, no geral, todos se misturam. Sou devoto de Neil Gaiman, com quem me encontrei há cerca de um mês e recebi um grande incentivo por ter publicado. Adoro o estilo simples dele. Acho mais fácil falar em escritores favoritos, é mais justo.

Gosto muito de Gaiman, adoro Asimov e Robert Heinlein e estou estudando muito o trabalho de Cormac McCarthy (autor de Onde os Fracos Não Têm Vez e A Estrada).

TdoC: e no próximo sábado, 20, você estará em Fortaleza para o lançamento do livro. Soube que o evento contará com a presença de cearenses…

FMB: o pessoal do RapaduraCast (o PodCast do Cinema com Rapadura) estará lá, o Jurandir Filho, o PH Santos e o Thiago Siqueira. E estou delirando com o Hálder Gomes (diretor, produtor e roteirista da comédia tipicamente cearense, “Cine Holliúdy”, que estreia dia 8 de agosto próximo), porque ele vai compor a mesa comigo. Ele é uma grande inspiração.

O cara filma em Los Angeles, consegue fazer os filmes dele e é um sujeito porreta! Sou louco para conhecê-lo e, quem sabe, me tornar um pupilo. O evento vai ser legal, trouxe alguns brindes para fazer sorteio, e, pela primeira vez que vou me reunir com todos os rapadurianos – ao vivo!

TdoC: acha que o seu livro tem mercado para ser adaptado nos EUA ou Brasil?

FMB: fiz o livro justamente para ser adaptado (ou traduzido) para outras mídias e países. Tenho um sonho de transformá-lo numa minissérie no Brasil! Muitos livros brasileiros são localizados demais e isso dificulta na negociação no exterior. Criei algo capaz de quebrar isso. Espero.