Crítica: “Em Ritmo de Fuga” é um dos filmes mais divertidos do ano

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, 2017) de Edgar Wright

Sabe aquela velha história batida de “só mais um último serviço e eu estou fora?”. Pois bem, esse pequeno e saboroso Cult chamado no Brasil de Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, 2017) de Edgar Wright, parte de algo que você já viu inúmeras vezes. Mas, por ter uma execução brilhante e sacadinhas fora da curva, se torna uma delícia.

Na trama, o jovem Baby (Ansel Elgort) – é isso mesmo, B-A-B-Y, como o bebê – tem uma necessidade especial curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância, principalmente na hora de entrar em ação.

Sua função é ser motorista de assaltos (e altamente veloz e competente no que faz), e trabalha para Doc (Kevin Spacey), que arquiteta todos os crimes. E se já estava cansado dessa vida de risco, ainda mais porque deve dinheiro ao seu mentor, ele não vê a hora de deixar de ser piloto tanto após pagar sua dívida, mas principalmente porquê se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James).

A fita é extremamente ágil, e em suas sequências de ação une as batidas das músicas – tão essenciais à narrativa – a cada corte de suas cenas. Ponto tanto para a edição de efeitos sonoros, quanto seus efeitos sonoros da produção, que por por isso, é milimetricamente bem montado – em som e imagem – fechando uma trica tecnicamente extraordinária.

 

Seu elenco cabe bem ao propósito do filme. Ansel Elgort (A Culpa é das Estrelas, 2015) tem ao mesmo tempo, uma inocente doçura, uma inércia quase autista, mas que carrega uma inteligência em si, pronto para entrar em ação à primeira batida da canção escolhida. Na pela da garçonete por quem Baby se apaixona quase que imediatamente, Lily James (Cinderella, 2015)  é puro sonho e sorriso. Eiza Gonzaléz – a Darling – é a safadeza em pessoa, e seu parceiro de crime e cama, Joe Hamm (o eterno Don Draper de Mad Men), é a dubiedade do bando. Kevin Spacey (duas vezes vencedor do Oscar, Beleza Americana e Os Suspeitos) é a perfeita mente criminosa por trás de tudo. Para completar, o também oscarizado Jamie Foxx (melhor ator por Ray, 2005), é puro perigo.

Diretor e roteirista, Edgar Wright (o mesmo do maravilhoso Scott Pilgrim Contra o Mundo, 2010) está de parabéns. Com todas as peças na mesa, um roteiro costuradinho, trilha sonora matadora, e algumas das perseguições mais incríveis dos últimos anos, Em Ritmo de Fuga é um dos filmes mais divertidos do ano.