Confiras as resenhas das estreias de “Blade Runner 2049”, “Chocante” e “Churchill”

As estreia da semana

Blade Runner 2049 (Idem, 2017) de Denis Villeneuve: Estamos em 2049, e após os problemas enfrentados com os modelos Nexus 8, uma nova espécie de replicantes é desenvolvida, de forma que seja mais obedientes (e escravos) aos humanos. Um deles é K (Ryan Gosling), um Blade Runner que se depara com a descoberta de um mistério ao “aposentar” Sapper Morton (Dave Bautista): uma replicante pode ter dado à luz a um filho. Para evitar uma guerra entre humanos e androides, a chefe de polícia Joshi (Robin Wright), decide eliminar todas as informações para encerrar a investigação.

De narrativa conduzida sem pressa (são 2h43 minutos, mas que passam muito mais rápido do que você imagina), entrega tudo que promete. Ao contrário da maioria das sequências que assistimos ano após ano, 2049 não mergulha no universo de sua própria nostalgia. A releitura de elementos do enredo de seu antecessor estão na trama, mas de forma controlada. Aos não iniciados no primeiro (Blade Runner: O Caçador de Androides, 1982), uma boa notícia: a partir de um prólogo simples e objetivo, você consegue ver um filme que funciona muito bem, sem deixar grandes interrogações. Já aos que conhecem bem a história original do “Caçador de Androides”, uma outra notícia melhor ainda: o que era sugestionado e filosofado em 1982, agora é bem mais ampliado, em discurso (a luta pela humanidade/liberdade) e conceito (como será afinal, o futuro?). Clássico instantâneo e sem medo de ser feliz: uma obra-prima que o coloca como filme do ano, até aqui. 10/10 Para ler a crítica completa, clique aqui.

Chocante (Idem, 2017) de Johnny Araújo, Gustavo Bonafé: Os anos 1990 marcaram o sucesso da boy band brasileira Chocante. Vinte anos mais tarde, o grupo acabou, e Clay (Marcus Majella), Tim (Lúcio Mauro Filho), Téo (Bruno Mazzeo), Toni (Bruno Garcia) e Tarcísio tomaram rumos diferentes na vida. Os antigos colegas se reúnem para um evento inesperado: a morte acidental de um de seus integrantes. No funeral, eles decidem se apresentar mais uma vez, em nome dos velhos tempos. No lugar do falecido colega, entra o novato Rod (Pedro Neschling), totalmente conectado nas redes sociais.

Música “Choque de Amor” é um chiclete divertido, para uma comédia sem maiores presunções, até que explora bem as relações entre marido e mulher (Tim-Lúcio Mauro Filho), e pai e filha (Téo-Bruno Mazzeo). Não é ruim, mas também não consegue ser hilariante. 5/10

Churchill (Idem, 2017) de Jonathan Teplitzky: Inglaterra, Junho de 1944: as forças Aliadas, um enorme exército, aguardam, no sul da Grã-Bretanha, a ordem para desembarcar nas praias da Normandia, França, reduto nazista, a ser liberada por Winston Churchill (Cox), Primeiro Ministro inglês. Mas ele hesita e reflete, porque, em 1915, levou ao massacre de milhares de soldados em Gallipoli, Turquia, o que, mesmo com o apoio de sua mulher, Clementine (Richardson), o levou à depressão. Além disso, está em choque com políticos aliados: o general dos EUA, Dwight D. Eisenhower (Slattery) e o britânico Marshall Bernard Law Montgomery (Wadham).

Drama biográfico está em cartaz no Cinema de Arte do Cinépolis RioMar Papicu, e é o terceiro trabalho do australiano Jonathan Teplitzky, conhecido por filmes como Entrando na Linha (2003) e Uma Longa Viagem (2013). Rodado na Escócia com o modesto orçamento de US$ 10 milhões, condensa as 96 horas que antecederam a invasão da Normandia pelos Aliados e faz um perfil histórico e psicológico de Winston Churchill (1874-1965), em obra de estreia do historiador britânico Alex von Tunzelman, autor dos 16 capítulos da minissérie Médici: Masters of Florence (2016), inédita no Brasil.

Pica-Pau: O Filme (Woody Woodpecker, 2017) de Alex Zamm: O travesso Pica-Pau está metido em mais uma de suas insanas brigas por território. Os inimigos da vez são o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson) e sua namorada Vanessa (Thaila Ayala). Precisando de dinheiro, eles estão determinados a construir uma extravagante mansão na floresta e lucrar com sua venda, mas Pica-Pau também mora no terreno e não pretende deixá-los em paz. A estreia, que une o 3D do Pica-Pau com os atores em carne e osso, Indicado para crianças abaixo dos 10 anos.

Outros filmes que continuam em cartaz

Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle, 2017) de Matthew Vaughn: Um súbito e grandioso ataque de mísseis praticamente elimina o Kingsman, que conta apenas com Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) como remanescentes. Em busca de ajuda, eles partem para os Estados Unidos à procura da Statesman, uma organização secreta de espionagem onde trabalham os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Juntos, eles precisam unir forças contra a grande responsável pelo ataque: Poppy (Julianne Moore), a maior traficante de drogas da atualidade, que elabora um plano para sair do anonimato. Destaque para as inventivas sequências de ação, cortesia do diretor Matthew Vaughn.

A vilã de Julianne Moore é deliciosa, contudo, com uma história esticada, trama que praticamente espelha o primeiro filme, e um retorno bem improvável de Colin Firth, a fita de ação não repete o alto nível de surpresa que foi o original. 6/10

Mãe! (mother!, 2017) de Darren Aronofsky: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Tenso e violento, capaz de sufocar com seus closes e acompanhamento nervoso dos personagens principais – em especial Jennifer Lawrence, que se esforça bem como uma sofrida “mãe” à procura de seu papel no mundo – é uma alegoria bíblica sobre o nascimento de Jesus. Sim, mas completamente desenhado, exagerado, sem qualquer tipo de espaço para saídas não convencionais. O mundo é o que está posto na tela, de um dualismo faminto por sangue e que só existem dois lados, onde na verdade há infinitas possibilidades (não exploradas). 5/10

It: A Coisa (It, 2017) de AAndy Muschietti: Quando as crianças começam a desaparecer na cidade de Derry, no Maine, as crianças do bairro se unem para atacar Pennywise, um palhaço malvado, cuja história de assassinato e violência remonta há séculos. Depois da ótima adaptação para a TV, em 1990, o remake chega aos cinemas, dessa vez em duas partes. A Parte 1, focada apenas na história das crianças, que se unem em torno de como combater o medo, na forma do palhaço Pennywise. Temos o rito de passagem, o poder da amizade, e algo essencial: não dar sustos pelos sustos, e sim se preocupa em construir personagens, justificar seus medos, e do que os consome. Elenco infanto-juvenil belissimamente bem escalado, clima de série de TV, Stranger Things (que já bebe das referências dos anos 80), – e que retroalimenta a produção – e uma presença considerável de um Bill Skarsgard como o palhaço assassino. Que venha a Parte II. 8.5/10

Pendular (Idem, 2017) de Júlia Murat: Um jovem casal (Raquel Karro e Rodrigo Bolzan) se muda para um grande galpão industrial abandonado. Uma fita laranja colada no chão divide o espaço em duas partes: à direita, o ateliê de escultura dele e, à esquerda, o estúdio de dança dela.

A interpretação de Raquel Karro é exatamente intensa, profunda e poderosa no drama sensível sobre divisão de espaços, a importância da arte e os anseios de cada um em uma relação. Seu corpo pulsa junto com a sua personagem, à procura de superfície, do seu espaço, da sua arte. Sua atuação atinge um nível arrebatador quando se entrega à uma dança que é pura catarse. 7.5/10 Para ler a crítica completa, clique aqui.

Feito na América (American Made, 2017) de Doug Liman: O centro da trama é Barry Seal (Tom Cruise), piloto comercial americano, que é recrutado em 1978 para trabalhar primeiro para a CIA – praticando a espionagem e transportando armas – e depois tanto para os maiores cartéis colombianos, traficando mercadorias entre os EUA e a América Latina, governos militares e até para si mesmo, até meados dos anos 90.

Com temas como tráfico de drogas, extorsão e ditadura militar, a comédia de ação escolhe por recontar essa história pelo seu próprio tom de absurdo, e incuti-lo de um clima leve, torna a viagem divertidamente possível. 8/10 Para ler a crítica completa, clique aqui.