Crítica: “Venom” é uma simbiose trash

Venom (Venom, 2018) de Ruben Fleischer

Adaptação dos quadrinhos da Marvel é o primeiro filme solo do personagem título, anti-aherói assusmido, e que faz parte do panteão de vilões do universo do Homem-Aranha. A trama de Venom (Venom, 2018) de Ruben Fleischer, nos apresenta a uma história que se coloca como sombria, com personagens idem… Exceto por seu protagonista. O jornalista Eddie Brock (Tom Hardy) vem tentando derrubar o notório fundador da Life Foundation, o gênio Carlton Drake (Riz Ahmed). Mas essa obsessão arruina sua carreira, e a reboque, o relacionamento com sua noiva, Anne Weying (Michelle Williams, além do texto ruim, como está esquisita a atriz).

Mas, ao tentar ganhar sobrevida, e investigar os experimentos de Drake, o jornalista se torna o hospedeiro do simbiótico alienígena Venom. Alimentado pela raiva, o ser bizarro distorce seu hospedeiro e se torna um ser imprevisível. Mas, usar as habilidades perigosas de Venom é a única esperança para que Brock tente salvar o mundo de uma invasão alienígena.

Difícil de funcionar uma história assim, não é mesmo? Pois bem…

Desde o princípio, Tom Hardy (indicado ao Oscar de coadjuvante por O Regresso, 2015) parece se entregar ao tom jocoso. Mas com o excesso de personagens rasos e uma história que caminha a passos largos para a ação desmiolada, não tem como se extrair muito daqui. Os efeitos especiais são bons, mas, em especial a sequência do confronto final, as cenas de ação são colocadas em câmera lenta para melhor compreensão.

Os dois terços iniciais são bem ruins, de narrativa inconsistente e pobre. O terço final acelera para abraçar o derrotismo (o próprio protagonista se considera um “loser”) do anti-herói, e melhora pelo tom trash (cortesia do diretor Ruben Fleischer, afeito ao tema desde Zumbilândia, 2009), mas não consegue salvar a “simbiose” do estrago quase total.

Sabe aquele clima Batman & Robin (1997) e Mulher-Gato (2004)? Pronto, por aí.

Sim, a adaptação dos quadrinhos da Marvel (assinado por Todd McFarlane, o mesmo de Spawn) tem ponta do Stan Lee, duas cenas pós créditos, e entre diálogos, uma menção aos “eventos estranhos em NY”, levando a crer que a história do personagem em Homem-Aranha 3 (2007) está sendo levada em consideração.