Crítica: “Vai que dá certo” não deu certo

Desde a retomada, em 1995, o cinema brasileiro conseguiu aumentar consideravelmente seu público, com picos de 22 a 25% de mercado e se consolidou com uma média de público de 15%. Nesse período, algumas comédias (ruins) fizeram bonito nas bilheterias, mas a partir da estreia do segundo Se Eu Fosse Você (2009), o cinema nacional vem conseguindo encaixar sucessivos sucessos cômicos de bilheterias. Mais especificamente comédias de baixo clero. Sim, filmes cômicos compostos basicamente de gags visuais, piadas com alguma sacanagem, rostinhos conhecidos da mídia, falsas interpretações, linguagem televisiva e plots chupados de comédias americanas de sucesso.

Não deu certo

E o novo sucesso, Vai que dá certo (Idem, 2013) de Maurício Farias, se encaixa quase que completamente em tudo que listei. Gags visuais, check. Piadas com alguma sacanagem, ok. Rostinhos conhecidos da mídia, em grande parte. Mas no quesito final substitua a linguagem televisiva pelos esquetes de internet. Adicione algum um humor inocente de figuras derrotadas pela vida – e que não deixam de fazer piada nem consigo mesmo. É o famoso ‘perco o amigo, mas não perco a piada’. E aqui reside as suas poucas qualidades. Além da abertura com jogos antigos e clássicos de videogame.

Temos momentos e não uma história, um roteiro de furos e uma apologia engraçada ao golpe, ao jeitinho brasileiro. O roubo aqui é uma solução e mesmo que existam pensamentos contrários a princípio, depois tenta justificar seus atos e escolhas ao envolver negociatas com traficantes, políticos e uma parte corrupta da polícia. Não deu certo. Não artisticamente, mas na bilheteria é um sucesso.

Trama

A trama mostra o reencontro de um grupo de amigos do colégio (Porchat, Gregório Duvivier, Felipe Abib, Danton Mello e Natália Lage), hoje frustrados com o rumo de suas vidas. Exceto um deles, que é candidato a Deputado (Bruno Mazzeo). Entre uma lamentação e outra, eles encontram uma saída inusitada para seus problemas: combinado com um dos seguranças (Lúcio Mauro Filho), decidem assaltar uma transportadora de valores.

O resultado é um filme que não chega a ser um desastre, mas é bobo. Simplesmente bobo. Quase inocente e pratica um humor de espírito episódico, com esquetes cômicas de situações constrangedoras dentro de sua própria história. Um campo bem explorado na internet por seu co-roteirista e responsável pelos diálogos, Fábio Porchat (também um dos protagonistas), especificamente no canal do Youtube Porta dos Fundos, mas que não funciona com a coesão que a tela grande exige. Porque cinema é mais que um stand-up comedy.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *