Crítica: “Trumbo – Lista Negra” revive caça aos comunistas nos bastidores de Hollywood

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“Trumbo: Lista Negra” concorre ao Oscar de melhor ator (Foto: Califórnia Filmes)

Ele escreveu histórias de amor. Filmes policiais, crimes, dramas e comédias. Era o roteirista mais bem pago de Hollywood em idos dos anos 40. Mas em uma época de puro glamour, Dalton Trumbo se assumiu comunista na América, e a sua história de vida passou a se confundiu com seus roteiros.

Baseado em fatos reais, Trumbo – Lista Negra (Trumbo, 2015) de Jay Roach, é o tipo de caso de “veja o filme e leia o livro”. Na trama, acompanhamos o roteirista Trumbo (Bryan Cranston), presença constante na cena social de Hollywood, e ativista político por direitos civis e trabalhistas e igualdade salarial.

O roteirista e diversos colegas foram intimados a depor diante do Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado dos Estados Unidos. O período foi conhecido como a “caça as bruxas” e “Macartismo”, o qual o senador McCarthy liderou uma comissão que perseguia pessoas ligadas ao comunismo nos EUA.

A recusa de Trumbo em responder às perguntas dos congressistas o levaram a uma prisão federal e consequente inclusão na lista negra do governo americano, por conta de suas crenças políticas. Além de ter a sua carreira manchada, o roteirista ganha a eterna inimizade da influente colunista social Hedda Hopper (Helen Mirren, indicada ao Globo de Ouro de coadjuvante) e do astro anticomunista John Wayne (David James Elliot).

O filme apresenta uma brilhante interpretação de Bryan Cranston, mas acredito que dentro do jogo da Academia e frente aos seus concorrentes, a sua nomeação ao Oscar de melhor ator já pode ser considerada como premiação. Célebre pela série de TV Breaking Bad (2008~2013), o veterano ator já fez a transição para o cinema com sucesso.

Na direção, Jay Roach. Reconhecido por comédias besteirol como a trilogia Austin Powers (1997; 1999; 2002), Entrando Numa Fria (2000) e Entrando Numa Fria Maior Ainda (2004), dirigiu também uma sátira cômica à política, Os Candidatos (2012). Já no campo dramático, assinou os filmes para a TV Virando o Jogo (2012) e Recontagem (2008), ambos baseado em fatos reais.

Adaptação do livro de Bruce Cook (“Trumbo”, ed. Intrínseca), o drama revive uma história política em meio ao processo de produção criativa dos estúdios de Hollywood. No elenco há as luxuosas participações da bela Diane Lane (indicada ao Oscar por Infidelidade, 2002), como a esposa de Trumbo; John Goodman (O Apostador, 2014), impagável na pele do produtor King; e Louis C.K. (Blue Jasmine, 2013), interpretando o roteirista Arlen Hird.

Entre a queda e ressurgimento, é curioso ver como as engrenagens da indústria do cinema acontecem. Uma vez na lista negra, Trumbo decide escrever sob pseudônimos e/ou repassando roteiros para outros roteiristas assinarem por ele. Com isso, a cerimônia do Oscar passou por duas situações constrangedoras envolvendo vencedores “desconhecidos”, na qual acompanhamos nos bastidores dos acontecimentos.

Ademais, outras partes da história do cinema são revelados, como a pré produção de Spartacus (1960), clássico dirigido por Stanley Kubrick e estrelado por Kirk Douglas, além de Exodus (1960), de Otto Preminger.

Além da indicação solitário ao Oscar, o filme concorre também ao Screen Actors Guild Awards 2016 (SAG Awards), o qual lidera o número de indicações nas categorias Melhor Elenco, Melhor Ator (Bryan Cranston) e Melhor Atriz Coadjuvante (Helen Mirren).

Em tempo, Dalton Trumbo escreveu os roteiros dos sucessos A Princesa e o Plebeu (1953), Arenas Sangrentas (1956), O Homem de Kiev (1968), Johnny Vai à Guerra (1971), Papillon (1973), Kitty Foyle (1940), Dois no Céu (1943) e 30 Segundos Sobre Tóquio (1944).

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