Crítica: thriller new age, “Atômica” bate forte nas cenas de ação

Atômica (Atomic Blonde, 2017) de David Leitch

Se na primeira cena de Atômica (Atomic Blonde, 2017) de David Leitch, acompanhamos um mergulho de uma Charlize Theron desnuda em uma banheira de gelo, temos a certeza de que nós, espectadores, é que vamos mergulhar na Guerra Fria.

Sua narrativa segue em flashback, a missão da agente britânica do MI6 Lorraine Broughton (Charlize Theron), que desembarca em uma Berlim às vésperas da queda do muro, que seguirá de forma implacável as pistas para encontrar um relógio que contém a listas de espiões pelo mundo. Dentre eles está um agente duplo, Sachel, que ameaça a ordem e a segurança da CIA, KGB e o MI6. No local, é convidada a cooperar com o chefe da estação de Berlim, David Percival (James McAvoy), em busca de acabar com uma ameaça que compromete toda a operação de inteligência do Ocidente.

Na adaptação da graphic novel The Coldest City (de Sam Hart e Antony Johnston) – recém lançada pela Darkside Books com o nome de Atômica – Charlize Theron arregaça quem tiver pela frente, em um thriller de espionagem banhado de trilha sonora new age, e no clima de fotografia básica entre o azul (frio) e o algum neon (quente).

Numa trama que equilibra bem a ação e sua história contada a partir de uma sala de interrogatório, temos três grandes sequências de ação – e que a montagem consegue se fazer passar por planos sequência – , e muitas reviravoltas. Em uma delas, que começa com uma cena belíssima envolvendo guarda-chuvas, podemos ouvir até o som da exaustão, ao nos deparar com um embate capaz de exaurir e roubar nosso fôlego.

Além da pancadaria, muito bem filmada por David Leitch (co-diretor de John Wick – De Volta ao Jogo, 2014), e que podemos sentir cada porrada desferida como se fosse em nós mesmos, há também um bom espaço para sedução. Em grande parte, culpa da presença de Sofia Boutella, uma agente francesa verdinha, que seduz, mas também não resiste aos encantos de Theron.

Interessante notar que, seu roteiro deixa muito claro o poder da mulher muito além da protagonista, mas aquela que é capaz de enfrentar sempre gente muito mais fisicamente que ela, Charlize Theron. Mas também há sempre no retrovisor, algo de uso do corpo feminino como objeto. Pode ser até sinal dos tempos, afinal o filme se passa em 1989, mas para uma personagem pintada tão fortemente, é algo a ser pontuado.

No elenco ainda temos um James McAvoy cumprindo o pepel de agente doidão, o sempre ótimo John Goodman como o “escroto” da CIA (palavras da Atômica, em pessoa), Eddie Marsan como um frágil Spyglass, e o competente Toby Jones na pele do interrogador do MI6.

Fita divertida, Atômica consegue superar suas quebras de ritmo narrativo, e uma trama às vezes excessivamente complexa, principalmente pelos ótimos confrontos de Charlize Theron vs. todos mundo, e suas sequências de ação, cortesia do diretor David Leitch (do vindouro Deadpool 2). Agora eu só quero saber quando estreia a próxima missão da “Loira Atômica”, agora nos anos 90.

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