Crítica: “Star Wars: O Despertar da Força” é uma obra-prima da cultura pop

Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força (Star Wars – Episode VII: The Force Awakens, 2015)

Está tudo no lugar. A trilha clássica de John Williams já anuncia. Numa galáxia muito, muito distante há a luta do bem (a luz) vs. o mal (lado negro da Força), batalhas espaciais, viagens na velocidade da luz, confrontos com sabres de luz, droids, conflito entre pai e filho, efeitos (realmente) especiais e um final que clama por uma continuação.

Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força (Star Wars – Episode VII: The Force Awakens, 2015) de J. J. Abrams é uma obra que vai além da função de satisfazer os fãs da saga. Com seu roteiro redondo, ação permeada com um senso de humor e novos personagens que conversam com a trilogia clássica, a obra conquista não apenas novos seguidores, mas também apresenta ao mundo um obra-prima da cultura pop.

A trama se passa 30 anos após os fatos de O Retorno de Jedi (Episódio VI, 1983). O Jedi Luke Skywalker (Mark Hamill) está desaparecido, e é procurado tanto por Kylo Ren (Adam Driver), que se rendeu ao Lado Negro da Força, quanto pela Resistência, liderados pela General Leia (Carrie Fisher).

Na tentativa de levar o droid BB8 com o mapa para localizá-lo, a sucateira Rey (Daisy Ridley, que constrói uma persona forte e adorável) e o ex-Stormtrooper Finn (John Boydega, carismático) cruzam o caminho de Han Solo (Harrison Ford) e de Chewbacca, e ficam no meio do conflito intergalático.

Eu chorei. Não apenas pela emocionante relevação e confronto crucial da trama. Além disso, é uma ficção científica que conversa muito bem com dois dos principais filmes da saga: Guerras nas Estrelas (que depois viria a ser rebatizado de Episódio IV: Uma Nova Esperança, 1977) e O Império Contra-Ataca (Episódio V, 1980).

Na abertura o mal já é estabelecido. O lado negro da vez é a Primeira Ordem, uma organização sombria iniciada após a queda de Darth Vader (que a sombra ainda ecoa) e do Império. A heroína (Rey/Daisy Ridley) é apresentada, para depois mergulhar na ação entre os restos dos outros filmes.

Entre referências, um piloto destemido e habilidoso (Poe Demeron/Oscar Isaac, algo entre um Luke e Han Solo), um robô com uma mensagem secreta, uma nova Estrela da Morte – que agora é Starkiller (nome que deveria se chamar Luke no Episódio IV), uma missão suicida com uma X-Wing, o uso recorrente da Força, batalha entre Jedis e uma cantina/bar bem similar ao de uma outra galáxia distante.

O supra-sumo ainda está por vir. Ecos de Império Contra-Ataca na sequência similar envolvendo um embate entre pai e filho, até a plataforma é similar, e o efeito dramático é tão potente quanto. Há tempo ainda para um épico retorno da nave Millenium Falcon (um “ferro velho”), e o tal “Despertar da Força” com a indicação de Maz (Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de coadjuvante por 12 Anos de Escravidão, 2013), que faz às vezes do mestre Yoda. E como impressiona Adam Driver, na pele de Kylo Ren/Ben, o mal encarnado. Claro que Han Solo não podia deixar de falar “Eu tenho um mal pressentimento sobre isso”, presente em todos os filmes da saga.

Seja Padawan ou Jedi, e se entregue ao prazer de ver e rever a um filme que já faz parte da história do cinema. E que a Força esteja com você.