Crítica: sequência de “Jurassic World” honra o original ao juntar aventura e terror

Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018) de J.A. Bayona

Já faz um tempo que Hollywood aposta no fator nostalgia para atrair público (tarefa cada dia mais difícil) para assistir seus blockbusters. Uma das mais bem sucedidas empreitadas foi trazer de volta os dinossauros que se tornaram febre mundial no clássico Jurassic Park, de Steven Spielberg, há exatos 25 anos.

Jurassic World, lançado em 2015, repetiu o fenômeno se tornando uma das maiores bilheterias da história, e reacendeu o interesse de toda uma nova geração pelos seres pré históricos. A fórmula do filme era bem simples: um misto de sequência com reboot, referências/reverências infinitas ao original, uma legítima história de aventura e um astro em ascensão – Chris Pratt.

A sequência chega agora aos cinemas com um diretor diferente e, definitivamente, com uma nova orientação. O parque acabou (como afirma ostensivamente a campanha de marketing), mas e agora? O cineasta J.A. Bayona (Sete Minutos Depois da Meia-Noite, 2016) prometeu o mais assustador filme da franquia, quase uma obra de terror, e em boa parte da trama ele honra a promessa.

A produção já abre com sua melhor sequência, com direito à tempestade, escuridão e dinossauros famintos. O primeiro ato, rápido e certeiro, oferece uma dose de aventura marcante mas é quando o filme se torna mais contido que funciona em sua melhor potência. Tons góticos, sombras e horror aparecem, mesmo que à niveis contidos, afinal ainda é um filme para família. Bayona insere sua veia artística e segue com um meio termo entre intensidade e diversão.

Chris Pratt mostra de novo porque é um dos astros mais carismáticos do cinema (nível Harrison Ford no auge da carreira), e sua química com Bryce Dallas Howard continua valendo muito. Porém as estrelas são mesmo os dinossauros. Pela primeira vez na série podemos admirá-los em toda sua glória, dividindo tempo de tela igual aos atores e em quantidade bem superior de espécies. Quem rouba a cena, porém, é o vilão Indoraptor, um novo dino letal, inteligente e assustador.

Jurassic World – Reino Ameaçado é uma sequência que honra o original de 93, e supera em muitos aspectos o de 2016. Embora recicle alguns pontos de tramas de filmes passados da franquia, é o primeiro sopro de originalidade que vemos dentro da série. O parque agora é, de fato, o mundo. Seria o reino humano que está ameaçado?