Crítica: “Rush – No Limite da Emoção” é o melhor filme do ano

Filme é baseado em fatos reais (FOTO: Califórnia Filmes/divulgação)

“Rush – No Limite da Emoção” é o melhor filme do ano

O ano ainda não terminou, mas o melhor filme da temporada, até aqui, já cruzou a linha de chegada: Rush – No Limite da Emoção (Rush, 2013) de Ron Howard. Em pouco mais de duas horas, acompanhamos um dos maiores duelos da história que a Fórmula 1, entre o austríaco Niki Lauda (Ferrari) e o inglês James Hunt (McLaren), que disputaram o título de 1976 até a última corrida da temporada.

A história real do é recontada com um roteiro de Peter Morgan, que consegue equilibrar as emoções. Há as questões do esporte – com a acirrada disputa pelo campeonato mundial e seus bastidores econômicos; E claro, o fator humano, que encorpa a obra com sentimentos genuínos e bem construídos. Morgan, indicado ao Oscar por A Rainha (2006), já trabalhara com o diretor no também nomeado Frost/Nixon (2008). 

Personagens

Os personagens, antagônicos por formação natural, são complementares e críveis, como sua própria história. Lauda, o “rato”, vive de forma disciplinada, e, meticulosamente planejava cada movimento, como o treino intensivo, noites bem-dormidas e até controle de felicidade. Hunt, um louco e ‘bon vivant’, conhecido pela ousadia nas pistas e na vida. Boêmio assumido, promovia orgias e festas regadas à álcool e drogas. Em seu macacão, exibia um selo com dizeres “Sexo: o café da manhã dos campeões”. Lauda era mestre em ajustar o carro, Hunt em ir até o limite do possível e impossível na pista.

Se fôssemos comparar como pilotos mais recentes, Lauda seria algo como um Alain Prost e Nelson Piquet, enquanto Hunt seria a versão mais primitiva e tresloucada de Kimi Raikkonen.

Lauda/Bruhl X Hunt/Hemsworth

Uma reverência para a recriação de Daniel Bruhl na pele de Niki Lauda. Com uma atuação monstruosa, Bruhl agarra o papel da sua vida ao utilizar os artifícios não de uma forma que o ampare, mas que realça o valor de sua interpretação. Há o sotaque alemão (que lhe é familiar) e o inglês rebuscado. Os dentes (postiços), que lhe conferem ao visual idêntico ao piloto austríaco, e a incrível maquiagem, crucial para parte da trama. Ponto inclusive, de alta rotação dramática, tratado de forma crua e necessariamente chocante.

Na pele do sedutor James Hunt, Chris Hemsworth se sai muito bem como um fanfarrão. Joga com sua vantagem física e seduz de maneira divertida. Destaque também para seus acessos de fúria, como – numa possível liberdade poética – num ataque a um jornalista italiano, ou na bem-humorada saída que tem ao descobria que a esposa (Olivia Wilde) está com o ator Richard Burton.

Dos melhores pontos da obra, há a relação de Lauda com sua esposa, Marlene (Alexandra Maria Lara). Sem dúvida, a força de sua mulher (aliada ao seu adversário nas pistas) motivou o piloto da Ferrari a abreviar seu retorna às pistas após um acidente inacreditável. Sua recuperação é assustadoramente real e o retorno às pistas em Monza é memorável.

Antes que lamentem o fato de não acompanharmos toda a temporada de 1976, considerada até hoje como uma das mais emocionantes de todos os tempos da categoria, ficaria impossível ver 16 grandes prêmios num filme de duas horas… E para que isso funcione sem fazer falta alguma à trama, é essencial louvar a parte técnica do filme, com uma equipe extraordinária.

Direção/edição/fotografia

A condução agressiva de Ron Howard nos transporta até a época mais romântica e perigosa da F1. Acidentes eram comuns e seus pilotos conviviam com a possibilidade da morte em cada treino, em cada corrida. Suas câmeras aplicadas nos carros aditiva a emoção nas ultrapassagens, curvas e olhares trocados pelos pilotos. Distante do mundo do blockbuster, o diretor americano, vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante (2001), nos entrega sua melhor obra e que merece ser aplaudida de pé. Detalhe, a produção custou apenas U$ 38 milhões, baixo para os padrões do diretor.

A dupla Daniel P. Hanley e Mike Hill, já trabalhou com o diretor em outras produções e venceu o Oscar de melhor edição por Apollo 13 (1995), barbariza na montagem. Impressiona pela unidade que dá ao longa exatamente na forma de mesclar bem as já mencionadas questões esportivas e pessoais. A fotografia (Anthony Dod Mantley – usual colaborador de Danny Boyle e vencedor do Oscar por Quem Quer Ser um Milionário?, 2008) desbota suas cores para nos levar até os anos 70 com precisão. A trilha sonora de Hans Zimmer acelera e sensibiliza, ao emoldurar as sequências de ação e drama. Além do fantástico trabalho de efeitos e edição de som.

Tema da vitória

Apertem os cintos, encha o tanque com a felicidades recompensadora de Rush – No Limite da Emoção, que é o pole position da temporada de ouro, que acaba de começar. Sem problemas mecânicos, a obra louvável de Ron Howard pode estar no grid de largada para concorrer ao Oscar 2014. Para os fãs da velocidade, um marco, para os fãs do cinema, também. Sobe o tema da vitória.

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