Crítica: “O Primeiro Homem” não é sobre a Lua ou foguetes, é sobre pessoas

O Primeiro Homem (First Man, 2018) de Damien Chazelle

“Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.”

O Primeiro Homem (First Man, 2018) de Damien Chazelle não é sobre a Lua, foguetes ou mesmo sobre a corrida espacial americana. É sobre pessoas. A vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling), e sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua, é humana. Muito humana.

O sacolejo da cena de abertura resume o filme. Repare: da quase morte e desespero, ao triunfo de apenas estar vivo e pronto para outra.

O diretor Damien Chazelle (leia-se Oscar de melhor direção por La La Land, e indicado por Whiplash), acerta ao esquecer a patriotada e constrói uma história cheia de sentimentos reais. Mais que um drama espacial, é um potente drama familiar. E aponta para a convivência com o medo, a dor e superação do luto, e de se ressignificar como ser humano.

O Primeiro Homem é um triunfo, e não pelo histórico fato de 1969 retratado com extremo realismo, mas pelo tom adotado. E com uma atuação soberba de Claire Foy (vencedora do Globo de Ouro pela série de The Crown), e na medida de Ryan Gosling (indicado ao Oscar de melhor ator por La La Land), que precisa do tom entre o travado e o mecânico para o protagonista.