Crítica: “O Destino de uma Nação” é mais que uma atuação impecável de Gary Oldman

O Destino de uma Nação (Darkest Hour, 2017) de Joe Wright

O Reino Unido passa pelo seu pior momento da Segunda Guerra Mundial, e Winston Churchill (Gary Oldman) está prestes a encarar um de seus maiores desafios: tomar posse como Primeiro Ministro da Grã-Bretanha.

Ao recriar o conturbado período de 9 à 14 de maio de 1940, O Destino de uma Nação (Darkest Hour, 2017) de Joe Wright, apresenta ao espectador muito mais que uma atuação impecável de Gary Oldman, na pele do protagonista, Winston Churchill.

Vejamos.

O contexto histórico é fortíssimo. Em meio à possível queda frente aos nazista na Segunda Guerra Mundial, e diante do fracasso político entre a oposição e situação, o Primeiro Ministro Britânico renuncia, em meio de 1940.

O protagonista é uma figura histórica controversa. Winston Churchill, que no meio desse turbilhão, assumiu o cargo de Primeiro Ministro Inglês como figura de coalizão entre situação e oposição. Mas nunca foi unanimidade.

E na obra do habilidoso diretor Joe Wright, seus atos ganham dimensões épicas. Desde a sua apresentação – dentro de um quarto escuro o fogo que acende seu charuto nos dá uma impressão da mística do personagem – aos seus discursos históricos, passando pelo seu ato de populismo (ao andar de metrô pela primeira vez) e seus embates ideológicos com o Rei (Ben Mendelsohn). Tudo guiado por uma trilha sonora que marca muito suas sequências.

Com uma força gigantesca do protagonista em tela e também na trama, os demais apenas circulam para dar vazão às suas ações. Acompanhamos fragmentos da história através da sua secretária/datilógrafa (Lily James), mas seu papel não cresce durante a trama, apesar até mesmo de uma conexão familiar entre ela e uma figura nos compos de guerra. Enquanto sua esposa (a dama Kristin Scott Thomas) pode ser vista até mesmo como um alívio cômico, aos dar conselhos, e falar tudo que o “Porco” (apelido carinhoso) precisa ouvir.

Mas ao contar uma história sobre a História – que inclui a ascenção política de Churchill e também a operação Dínamo, que retirou os soldados britânicos da praia de Dunquerque/Dunkirk, minuciosamente vista no filme homônimo – prevalece a elegância cinematográfica habitual de Joe Wright (o mesmo de Desejo e Reparação, 2007; e Orgulho & Preconceito, 2005 – indicado ao Oscar de Melhor Filme e vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme-Drama).

Acompanhamos rimas visuais (como uma lágrima e uma bomba caindo ao mesmo tempo), um perfeito desenho de produção/direção de arte & cenários, e um luxuoso auxílio na composição do filme pela bela fotografia de Bruno Delbonnel. Seja o suntuoso interior do Palácio nas visitas ao Rei, nas conversas (leves até) que tem em casa com a sua esposa, nos corredores estreitos e cômodos do seu escritório de Guerra, e principalmente no Parlamento, um faixo de luz penetra e transforma o ambiente em penumbra, deixando a sensação de que sempre há escuridão em cada um dos ambientes.

Importante destacar também o trabalho fenomenal de cabelos & maquiagem. O que se vê na tela é uma verdadeira transformação, de Gary Oldman em Winston Churchill, impressionante. O ator praticamente some dentro da casca do Primeiro Ministro. E não é apenas a caracterização física, ele está monstruosamente igual ao retratado. Da voz aos lábios (sempre resmungando), à sua postura e gestual, recriados numa entrega física digna de aplausos. E muitos prêmios.

E que grande sequência temos com Churchill ao microfone, se dirigindo ao povo em cadeia nacional pela primeir vez, além de acompanharmos curiosamente suas decisões dentro da sala de guerra. Decisões que mudaram o rumo da história, não sem antes sermos coroados com um discurso inesquecível, já imortalizado nos livros de história, e agora pela sétima arte.

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