Crítica: novo “Assassinato do Expresso do Oriente” funciona de forma elegante

Assassinato do Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017) de Kenneth Branagh

É sempre difícil ver uma obra novamente, aqui no caso um filme, do qual você já sabe a sua história, e seu desfecho principal. Mas a novas versão para o romance de Agatha Christie, Assassinato do Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017), funciona perfeitamente. E de forma elegante.

Quem dá o tom é seu diretor e protagonista, Kenneth Branagh. Seu filme evoca o passado – apesar de exagerar em solenes sequências de flashback em preto & braco – mas diverte com alguma agilidade moderna. O clima de tensão investigativa segue aceso, e a limitação de ter praticamente um cenário só – o trem da viagem do título – na verdade, trabalha a favor de sua história.

Na trama, o detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) está a bordo do Expresso do Oriente quando um passageiro é encontrado morto. Amplamente desprezada e odiado, a vítima tinha muitos inimigos, e a missão do detetive é de descobrir o culpado dentro de um grupo excêntrico de suspeitos, misteriosamente interligados pelo passado.

A construção da produção, segue o mesmo cerne do livro clássico, e é uma obra de conjunto bem orquestrada. De clima teatral, incluindo aí pequenos conjuntos de planos sequência e até uma representação da mesa da última ceia, tudo contido de forma orgânica em sua narrativa. E que, apesar do orçamento médio (U$ 55 milhões), tem um belo desenho de produção & cenários, figurinos de puro requinte, uma trilha sonora envolvente (cortesia de Patrick Doyle, habitual colaborador do diretor), e um elenco de fazer inveja a qualquer produção.

Em dupla jornada (à frente e atrás das câmeras), a composição de Branagh para o seu Hercule Poirot, vai além de um bigode exageradamente criativo. Astuto detetive que comanda as ações de toda a obra, é uma persona ao mesmo tempo inteligente, perfeccionista, engraçado e prepotente.

Kenneth Branagh e o bigode de Hercule Poirot

De formação shakespeariana, o qual dirigiu e atuou em versões de Hamlet (1996); Muito Barulho por Nada (1993); e até foi indicado ao Oscar por Henrique V (1989), Branagh tem se mostrado bastante versátil e eficiente. Já assinou um suspense engenhoso (Voltar à Morrer, 1991), refez o clássico do horror, Frankenstein de Mary Shelley (1994), brincou de filme de super-herói (Thor, 2011), e teve sucesso até com a adaptação de carne e osso para um clássico desenho da Disney (Cinderella, 2015).

Além do protagonista bigodudo, destaco o trio Michelle Pfeiffer (a viúva e solteira Caroline Hubbard), o professor Willem Dafoe e a governanta, Daisy Ridley, cada em pelo menos um grande momento. Causaram boa impressão também, os desconhecidos Olivia Colman (como a empregada de Judi Dench), e Leslie Odom Jr., o médico negro (e único da turma, como se autodenomina). Completando os passageiros/suspeitos, temos um seboso Johnny Depp, a religiosa Penélope Cruz, o atrapalhado Josh Gad, o mordomo Derek Jacobi e Judi Dench (Princesa Dragomiroff), uma dama que deixa a sua marca apesar de pouco aparecer.

E você, será capaz de adivinhar quem é o assassino?