Crítica: narrativa envolvente de “As Viúvas” mistura filme de golpe, drama e tensão

As Viúvas (Widows, 2018) de Steve McQueen

Baseado no livro homônimo de Lynda La Plante, As Viúvas (Widows, 2018) não pode ser resumido como um “filme de golpe” (popularmente chamado pelos americanos de heist movies). Adaptado ao cinema através da dupla criativa formada por Steve McQueen (também diretor do longa) e Gillian Flynn (autora do romance Garota Exemplar, adaptado com sucesso ao cinema em 2014), a obra amarra sua trama se entrelaçando também nas histórias de seus personagens. 

O filme abre entre o abrupto e o pós ação de um assalto planejado por um astuto criminoso, Harry Rawlings (Liam Neeson). Líder de um grupo formado por Florek Gunner (Jon Bernthal), Carlos Perelli (Manuel Garcia-Rulfo) e Jimmy Nunn (Coburn Goss), mas a quadrilha é supreendida, e acaba eliminada em uma emboscada da polícia.

E é a partir daqui, que sua trama abre e respira motivação para a história. Em situação de risco, e pressionadas por criminosos, suas viúvas – Veronica Rawlings (Viola Davis), Linda Perelli (Michelle Rodriguez), Alice Gunner (Elizabeth Debicki) e Amanda Nunn (Carrie Coon) se unem para realizar o último assalto planejado por Harry.

Essa parece ser a única saída para que sobrevivam ao submundo do crime. E ao colocar em prática o plano mirabolante, também se veem em meio aos bastidores de uma disputa política (a qual se escora no poder da religião), e com isso, o cineasta Steve McQueen (Oscar de melhor filme e diretor por 12 Anos de Escravidão, 2013) não desperdiça nenhum de seus momentos, costurando camadas a cada uma de suas/seus personagens.

Sua montagem consegue dosar ação, drama e as surpresas que vão desabrochando a cada sequência. Filme de golpe, drama e tensão se misturam em uma narrativa envolvente, e que consegue fazer com que o espectador acredite em tudo que se passa na tela.

Viola Davis está monstruosa, enquanto Colin Farrell surpreende com um personagem político de apoio. Ainda no filme Daniel Kaluuya (indicado ao Oscar de melhor ator, Corra!, 2017) e os veteranos Robert Duvall (Oscar de melhor ator, A Força do Carinho, 1983) e Jacki Weaver (indicada ao Oscar de coadjuvante, O Lado Bom da Vida, 2012). O consistente thriller estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (29), e é uma das apostas à temporada de prêmios – leia-se Globo de Ouro, SAG e Oscar – da Fox.