Crítica: ação escapista de “Maze Runner: A Cura Mortal” encerra a trilogia

Maze Runner: A Cura Mortal (2018) de Wes Ball

Distopia adolescente. É assim que podemos categorizar a trilogia de filmes de Maze Runner, todos baseados na série homônima de livros, escrito por James Dashner. Maze Runner: Correr ou Morrer (2014), Maze Runner: Prova de Fogo (2015), e agora estreia o que promete ser o fim da trilogia original, Maze Runner: A Cura Mortal (2018). Não por coincidência, todos os três são dirigidos por Wes Ball, um jovem realizador, mas que mostra a constância/regularidade por toda a trilogia.

 

O primeiro filme  – “Correr ou Morrer”, com garotos sem memória e que tentaram escapar de um labirinto gigante – era totalmente baseado em surpresas e numa tensão cada vez maior.

Sua sequência – “Prova de Fogo”, após vencerem o labirinto, para sobreviverem em um mundo hostil, os jovens terão de fazer uma travessia no deserto – já apontava para o que seria o supra-sumo de sua terceira aventura, ao esquecer um pouco o suspense, e apostar muito na ação.

No terceiro filme da saga,o que é temos é quase que completamente um filme de ação.

Na trama, Thomas (Dylan O’ Brien) embarca em uma missão para encontrar a cura para a doença mortal que está dizimando a população e a transformando em Cranks, ou uma espécia de zumbis. Ao descobrir que os planos da C.R.U.E.L podem trazer consequências catastróficas para a humanidade, ele tem que decidir se vai se entregar para a organização como um último experimento em busca de respotas, ou se prefere resgatar seus amigos e fugir para a criação de uma nova sociedade.

Patricia Clarkson bate o ponto como a experiente cientista não mais em busca do controle do mundo, mas apenas de respotas. Kaya Scodelario mantém firme a dualidade entre o trabalho para a organização e a paixão velada pelo herói-cobaia. Só não entendi como ela se torma uma cientista tão talentosa, praticamente de uma hora para outra. Temos também o Jorge de Giancarlo Esposito, capaz até de pilotar habilmente uma aeronave inimiga, vejam só.

E enquanto a reaparição de um personagem esquecido no primeiro longa se torna algo inaceitável, Rosa Salazar tentar assumir um lugar de destaque como a durona Brenda (que havia aparecido no capítulo anterior). Já o protagonista, Dylan O´Brien – o eterno Teen Wolf da série homônima – segura muito bem a onda ao liderar praticamente toda a ação (literal) da aventura.

Como cinema, não é tão bom quanto Jogos Vorazes e seus quatro filmes (2012; 2013; 2014; 2015), mesmo com um desnecessário desmenbramento do último livro em duas partes. Mas é bem melhor que o promissor Divergente (2014), que se transformou em algo meia-boca (Insurgente, 2015), e depois um xarope (Convergente, 2016), compromentendo até seu capítulo final, programado agora para a TV em 2018 (Ascendente).

Não que seja grande coisa, porém, tem miolo suficiente para segurar a ação por um par de horas. O problema é que o terceiro Maze Runner, subtitulado de A Cura Mortal, tem quase duas horas e meia. Tempo demais para contar uma história de menos, com uma trama toda trabalhada em sequências de ação/resgate. O maior destaque é sua excelente sequência de abertura (no trem), muito movimentada e bem coordenada, e uma trilha sonora que bate certa nas cenas de ação

Mas no fim, o que temos são vilões ruins de mira, nada menos que seis ou sete tentativas de reviravoltas na base de resoluções bem improváveis, e duas ou três oportunidade de terminar a história. E ao que parece, pode não ter chegado realmente ao fim.