Crítica: “Homem de Ferro 3” é super OK

Vou direto ao ponto, Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) de Shane Black, é bom. E não é. Apesar de se vender como uma história sombria e homem à frente da máquina, a nova aventura de Tony Stark diverte, mas só se sustenta mesmo pelos seus excelentes efeitos especiais, e claro, Robert Downey Jr e seu carisma infinito.

Depois d´Os Vingadores (2012), não há como pensar em filmes menores ou embates com seus próprios demônios. Ataques de pânico, pesadelos e visões fazem parte de uma realidade que Tony Stark quer esquecer, mas não consegue.

O ataque à Nova York e o embate entre monstros, demônios, deuses e um buraco negro o deixou inseguro. Mesmo com esse ponto de partida, a nova aventura solo do Homem de Ferro tenta ludibriar o espectador com algo mais sinistro e humano, mas não demora a se jogar num mundo que já conhecemos. Ação, efeitos, ação, piadas e frases de efeito, ação, ação e efeitos. Não necessariamente nessa ordem.

Bombas detonam os Estados Unidos e num dos ataques a vítima é Happy Hogan (Jon Favreau, divertido). Assim, Stark não promete justiça, mas simplesmente vingança. No próximo passo do vilão, a situação piora. Sua mansão é destruída e ele é dado como morto. Tony Stark agora tem de se reconstruir e partir para a retaliação. Da forma mais brutal possível. A rede de ódio e vingança está armada.

Homem de Ferro 3 depende, e muito, dos seus efeitos especiais. O 3D aparece bem em duas cenas, mas não confere nada ao filme. Portanto, se quiser pode dispensá-lo. É melhor que o segundo, sim, mas bem distante do primeirão.

As cenas de ação são bem irregulares. A primeira impressiona – no empolgante ataque à mansão Stark – mas com uma saída incomum para o herói e sua armadura. Já o resgate aéreo é digno de risadas, principalmente pela decisão final de brincar de ‘macacos’ – veja e entenda. Já no embate entre as dezenas de armaduras do Homem de Ferro – operadas por controle remoto – versus os soldados modificados pelo poder adquirido Extremis, vira festa, brincadeira de criança.

Os vilões

O Mandarim (Ben Kigsley, sei nem se eu diga…) e o cientista Aldrich Killian (Guy Pearce) se confundem como “o” vilão. O terrorista usa a mídia para gerar ainda mais medo, discursos prontos e um tom de professor. O segundo tenta um diálogo, mas após a frustração, parte para a ignorância e sequestra Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Entre os dois está ataques a bomba e vários atos de terrorismo. E uma virada fraca, que simplesmente destrói a força do “vilão”.

Por outro lado, a quantidade de personagens atrapalha o andamento da história. O Patriota de Ferro (Don Cheadle, no piloto automático) está no filme, como um personagem de apoio, mas pouco faz. Há ainda a cientista Maya Hensen (Rebecca Hall, quase numa participação especial de luxo), a criadora de um poder que funde regeneração e fogo (o tal Extremis) e que traz consigo uma interrogação moral na cabeça, além de um presidente americano bem ativo (William Sadler).

Resumo da ópera de ferro – sem trilha de rock e apostando em temas que nos guiam entre a tensão e a aventura: super ação, super Robert Downey Jr., super efeitos especiais e várias super armaduras do herói versus super vilões com um super poder, digamos, super quente. Mas Homem de Ferro 3 não é um filme super. No máximo um super OK. Ah, e as crianças vão adorar.