Crítica: game over ou continue para “Resident Evil 6: O Capítulo Final”?

Depois de seis adaptações ao cinema, Paul W.S. Anderson – produtor e roteirista de todos, e diretor dos capítulos um, quatro, cinco e esse sexto – apresenta, como o próprio subtítulo já diz, esse Resident Evil 6: O Capítulo Final (Resident Evil: The Final Chapter, 2017) como a última. Mas será mesmo ‘game over’ ou vai rolar um ‘continue’ básico?

O foco, continua sobre a sobrevivente Alice (Milla Jovovich), clone ungida nos laboratórios da Umbrella Corporation, empresa responsável pela disseminação do T-Vírus, que ocasionou a apocalipse zumbi na Terra. No seu retorno para onde o pesadelo começou, Raccoon City, uma missão a ser cumprida: ir até a colmeia em busca de um antídoto para o T-Vírus, mas capaz de dizimá-la também. Para vencer a batalha final e salvar a raça humana, a heroína recruta velhos e novos amigos. Enquanto isso, a Umbrella reúne suas forças para um ataque final contra os remanescentes do apocalipse.

Como em praticamente toda a cinessérie de Resident Evil, o filme começa com uma narrativa de Alice, recapitulando os eventos dos filmes anteriores e o início do caos total. A pequena diferença, que pode ser vista como uma trapaça narrativa, é que o novo prólogo explica parte de toda a saga, mas não exatamente tudo o que aconteceu, mas para onde quer levar o espectador neste sexto capítulo.

Os acertos são mínimos. Primeiro, Milla Jovovich, que continua a defender com muita vontade o papel de protagonista com a sua Alice, da original ao clone final. Ágil e sem medo da porrada – ela chega a perguntar em três situações diferentes, após apanhar de uns marmanjos, se é só isso que eles tinham – pode se esperar que a até a última sequência, ela estará acreditando em tudo aquilo ali. Mesmo com alguns absurdos do roteiro (comuns em todos os filmes de Resident Evil). O próprio clima de terra devastada e Alice à procura de respostas, remetem muito ao seu jogo de origem.

Duas sequências de ação funcionam bem. Na primeira, parece que Alice será capturada, quando pendurada por uma armadilha em uma corda, contudo, suas habilidades mudam um pouco a situação. Na segunda, uma vez dentro da colmeia – algo que remete completamente ao primeiro filme – há uma nova sequência que envolve um corredor e raios laser. Maravilha, mas de novo, bem parecido com o primeirão.

E entre essas duas sequências há um imenso buraco, que enxertam velhos conhecidos, entre eles Ali Larter (Resident Evil 3 e 4), Iain Glenn – o Dr. Isaacs do capítulo 3, e muitas sequências de ação, que se não fossem tão picotadas na base dos ultra-cortes, poderiam ser grandes cenas de ação. Bons exemplos são Alice (Jovovich) sendo usada como isca dos zumbis puxada por um tanque, e a invasão dos zumbis a um prédio utilizado como quartel general dos sobreviventes, que prometem muito, mas são apenas um amontoados de cortes com tiro, porrada e bomba. O resultado é que e na maior parte do filme, não é possível entender o que está acontecendo na tela.

Bem, entre os problemas também está na “relação” criada entre a Rainha Vermelha (Ever Anderson, na vida real, filha de Milla Jovovich com o diretor Paul W. S. Anderson) com Alice, e que depois se desdobra em uma versão velha da própria personagem. Um encontro que ocasionam diálogos (e motivações) constrangedores.

Resident Evil 6 tenta trabalhar a questão de haver uma missão que dita a história – ou objetivo de jogo, com uma espécie de passagem de fase – além da adição de um cronômetro em contagem regressiva. Com isso, a trama se autodenomina gamer, ok. Mas não funciona bem, e as projeções de ação dos personagens, mostrando o que pode ser eito ou não em cada um dos confrontos, tem efeito nulo para o andamento da história.

Com muitos diálogos expositivos, furos no roteiro (como a inclusão de personagens do passado sem uma justificativa plausível, o uso excessivo dos clones, e porquê não matar a velhinha? O mundo já acabou, e não há motivo algum para esperar para que ela morra, para que assim o vilão assuma o controle da Umbrella, certo?) e mudanças bruscas de direção da história (do sacrifício à redenção em instantes), a bagunça fica completa. Mas não se preocupe, tudo tem uma grande explicação final.

E independente do que é possível, para mim é game over.

 

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