Crítica: “Doentes de Amor” é mais dramático que engraçado, mais familiar que romântico

Doentes de Amor (The Big Sick, 2017) de Michael Showalter

Imagine que uma história de vida sua será transformada em filme e você será o ator que interpreta a si próprio ao lado de atores profissionais encenando personagens reais que fazem parte da sua vida. Isso acontece com Kumail Nanjiani em Doentes de Amor (The Big Sick, 2017), na comédia romântica dirigida por Michael Showalter.

O ator em questão é um rosto já conhecido na telona. Estamos acostumados a vê-lo interpretando personagens indianos (ironias a parte, ele é paquistanês), principalmente em filmes de comédia além de séries de TV. Contudo, enquanto protagonista, ainda mais nas condições mencionadas anteriormente, é a primeira vez que aparece.

Talentoso por ser engraçado sem precisar fazer trejeitos forçados, porém ainda fraco em papeis dramáticos, Kumail Nanjiani (Juntos Pelo Acaso, 2010) começou a carreira como comediante stand up. Fato esse retratado no começo chato e sem graça do filme em questão. Nanjiani faz par romântico com Zoe Kazan (Ruby Sparks: A Namorada Perfeita, 2012) que interpreta a atual esposa dele, Emily Gordon, hoje, roteirista e produtora de televisão.

Nanjiani e Kazan fizeram um par até bem acertado para a telona. Mas, enquanto comédia romântica, temos uma história genérica, nada fora do comum. Um casal que, para poder ficar junto, precisa superar as diferenças culturais. Ela uma garota americana, ele um jovem mulçumano que é forçado a ter um casamento arranjado pela família tradicionalista.

Com produção de Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos, 2007; Bem Vindo aos 40, 2012; e Descompensada, 2015), o grande mérito do longa é a dosagem e a mistura correta entre comédia, romance e drama, principalmente da metade para o final do filme. Na primeira parte, temos um ritmo lento, que cansa o expectador com um grupo de comediantes nada engraçado. Quando a personagem de Kazan é internada num hospital e precisa ser induzida ao coma, o filme tem uma forçosa reviravolta.

A partir daí, entramos numa narrativa de tom dramático, sem deixar de ser um filme de comédia. Ray Romano e Holly Hunter, que interpretam os pais de Emily, Beth e Terry, roubam várias cenas em situações delicadas mas que não deixam de ser cômicas. Ou seja, temas complexos expostos de uma forma leve.

De longe, a melhor atuação do filme foi de Holly Hunter. Veterana nas telonas, inclusive vencedora do Oscar de melhor atriz por O Piano (1993), ela talentosamente vai da mãe aborrecida com a presença do ex-namorado da filha, passando pelos conflitos conjugais com o marido, até a sogra que é amiga do genro.

Em meio a tudo isso, cresce no espectador a ansiedade para ver se Emily irá sobreviver e se o casal terminará junto. Nada diferente de qualquer comédia romântica. Mesmo pouco experiente em direção na sétima arte, Michael Showalter (Doris, Resdescobrindo o Amor, 2015) acerta ao dar um tom de sitcom para o longa-metragem, um stand up da vida real. Se o filme é clichê enquanto comédia romântica, ganha pontos como drama familiar.