Crítica: repetição é a palavra que define o engraçadinho “Deadpool 2”

Deadpool 2 (Idem, 2018) de David Leitch

Continuação do sucesso de 2016, Deadpool 2 (Idem, 2018) de David Leitch, é vítima de sua própria ambição e descontrole, mas a palavra que o define melhor mesmo é repetição. E se o primeiro já era censura 16 anos com tanta barbaridade, preparem-se que eles vão além na violência e humor grotesco, e agora conseguiram atingir o topo da censura (18 anos), liberado apenas para maiores.

A trama mostra uma evolução do anti-herói, que agora anda pelo mundo matando criminosos, mas que não esquece de zoar a cultura pop com citações de canções, paródias de filmes e muitas outras coisas. Mas quando o supersoldado e viajante do tempo Cable (Josh Brolin) chega em missão assassina, Deadpool (Ryan Reynolds) é forçado a pensar em amizade, na importância da família e o que realmente significa ser um herói (se é que ele quer ser mesmo um).

Claro que o tom é de autoparódia da primeira a última cena. O filme zomba de si, como no primeiro, repete a piada do corpo de bebê, como no primeiro (de novo), e até encaixa bons momentos ao tirar onda do cinema (e da cultura pop), como no primeiro (e de novo). Resumindo, é uma comédia (de ação) um tanto forçada, e por vezes até cansativa, que se utiliza dos pontos fortes do original, sempre tentando os elevar à décima potência.

Até mesmo quando Deadpool monta um novo grupo, o X-Force, mais parece um arremedo das comédias noventistas de Jim Carrey. Mais especificamente, O Máskara (1994).

Voltam as piadas contra Wolverine/Hugh Jackman, passando por uma engraçadinha estadia na Mansão dos X-Men/Instituto Xavier para Jovens Superdotados (com direito à aparição especial de uma turma…) e a realção com Colossus, mas as piadas autoreferenciais e a metalinguagem/quebra da quarta parede vão à exaustão em loop, e qualquer carga pretensamente dramática do roteiro (ah, a trama da família… sei) é anulada pelo tom de eterno pastelão.

Filmadas por um especialista – David Leitch, co-diretor de John Wick: De Volta ao Jogo (2014) e diretor de Atômica (2017) – as sequências de ação são bem elaboradas, principalmente nos confrontos. Mas quando se trata de cenas maiores, o CGI é visivelmente pobre. No meio dessa bagunça toda, Josh Brolin se apaga como Cable – que até chamado de Thanos, é, algo completamente previsível – enquanto Zazie Beetz é uma irresistível Dominó.

De praxe, trilha sonora cheia de referências, incluindo uma brincadeira sem fim com o dubstep, e sim é definitivamente um filme baseado nas histórias em quadrinhos de resultado engraçadinho. Ryan Reynolds tem carisma até a tampa transbordar e segura a onda (muito envolvido na produção, é também produtor e co-roteirista), e as brincadeiras sobre o cinema são os melhores momentos – junto com uma sensacional sequência ‘entre créditos’. Mas no fim, forçação de barra define bem.

(Crítica conjunta com Davi Nogueira/Clube Cinema).