Crítica: franquia “Anjos da Noite” emplaca 5º filme como um dos piores do ano

Anjos da Noite: Guerras de Sangue (Underworld: Blood Wars, 2016) de Anna Foerster

A primeira coisa que posso falar sobre Anjos da Noite: Guerras de Sangue (Underworld: Blood Wars, 2016) é na verdade uma pergunta: porquê? Na real, a franquia parece que já morreu faz tempo, mas ainda insistem em produzir novos capítulos como esse aqui, o quinto.

Na trama de “Guerras de Sangue”, a vampira Selene (Kate Beckinsale) está mais uma vez em meio a luta para acabar com a guerra eterna entre o clã Lycan de lobisomens sanguinários e a facção de vampiros que a traiu. Na verdade, ela só deseja se afastar de tudo e de todos, inclusive de sua filha híbrida Vampira-Lycan, que parece ser a chave para a pacificação entre as raças. Quando um novo levante toma forma, ela irá utilizar sua influência e relacionamento com ambas as partes para negociar um cessar fogo.

Underworld iniciou há 13 anos, com o sucesso surpresa Anjos da Noite – Underworld (2003) de Len Wiseman. Voltou com Anjos da Noite – A Evolução (2006), também com Kate Beckinsale. Tanto a estrela da série, quanto seu diretor saíram de cena no terceiro, Anjos da Noite – A Rebelião (2012), uma prequel ruim, mas que ainda rendeu uns bons trocados. Kate Beckinsale voltou para o quarto, Anjos da Noite – O Despertar (2012), que atingiu os melhores números da franquia, mas por outro lado, parecia ter chegado ao fundo do poço em nível de qualidade.

A trama é injustificável, usada apenas para criar cenas de ação. Que por sinal vão de risíveis a dispensáveis de forma imediata. Some-se a motivações inconsistentes, com furos de roteiros facilmente identificáveis (como um personagem é dito como descartável em uma cena para em seguida ser a única esperança da vilã? | Outra: se extrai uma quantidade rara de sangue – que dará forças imensuráveis a quem provar – para em seguida ser bebido a ponto de se derramar e jogar o resto fora? |  Mais um: como um povo tido como completamente pacífico se descobre guerreiros altamente treinados de uma hora para a outra?).

Pois é, a lista de bobagens é longa, e o pior é que não parece existir uma direção em cena (Anna Foerster, a mesma das séries de TV Outlander e Criminal Minds), e a montagem, que tenta picotar qualquer sequência, só piora o andamento de sua trama.

E pensar que o primeirão, lá em 2003, colocou frente a frente as habilidades de Lobisomens X Vampiros de uma forma ao mesmo tempo animalesca e tecnológica, e com um visual na cola do então recém findado Matrix… Agora só resta a presença de Kate Beckinsale – que parece acreditar fortemente em tudo que está na tela e o retorno de Theo James (Anjos da Noite – O Despertar, 2012), ambos completamente perdidos em um roteiro inacreditável.

Quer mais? Na lista de personagens caricatos da obra, existem dois vilões – o lobisomen Marius (Tobias Menzies) e a vampira Semira (Lara Pulver). O primeiro é um cigano Igor depois da peste, e mesmo com uma questão do passado a ser revelada, não empolga e tampouco amedronta. Pior é a a segunda, que é até complicada de descrever. Os  piores momentos do patético conjunto recaem sobre a vilã, Semira, que mais parece uma stripper de Vegas.

No fim, Anjos da Noite: Guerras de Sangue ainda tenta uma reviravolta com renascimento das trevas, revelações e confrontos sangrentos. Tudo em vão, pois é tão somente um dos piores do ano. Mas as notícias ruins não acabaram: seu final aponta ainda para novos capítulos, o que me faz retomar a pergunta do primeiro parágrafo: porquê?