Continuação de “As Tartarugas Ninja” é quase tão ruim quanto o primeiro

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows, 2016) de David Green.

Dois anos após o reboot em que sua origem foi recontada, o sucesso de bilheteria ganha uma nada surpreendente continuação. As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows, 2016) de David Green, que mais uma vez conta com a produção de Michael Bay (Transformers).

Na trama, os heróis (desconhecidos pela população de Nova York) Rafael (Alan Ritchson), Michelangelo (Noel Fischer), Leonardo (Pete Ploszek) e Donatello (Jeremy Howard) vão unir suas qualidades para enfrentar novamente o Destruidor (Brien Tee). Em busca de poder, o vilão se une com o cientista louco Baxter Stockman (Tyler Perry), criador de uma fórmula capaz de transformar humanos em superanimais. Mas os planos podem ir longe demais, com a montagem de uma máquina capaz de trazer um perigoso alienígena para o nosso planeta.

As grandes novidades desse segundo filme são a inclusão/introdução de novos personagens, o uso do caminhão de lixo modificado como arma e o incremento dos efeitos especiais/captura de movimentos. Vamos lá.

A trama tem o retorno do Destruidor (Brian Tee) como vilão, mas introduz uma série de novos personagens, já conhecidos da série animada. Conhecemos o cientista Baxter Stockman (Tyller Perry), a origem dos animais-capangas Beepop e Rocksteady, a inclusão do policial (e interesse romântico de April O´Neal), Casey Jones, além de incluir o alienígena Krang e seu Tecnódromo.

Parece muita coisa, mas não muda o jogo, e o resultado final continua bobo demais.

Em quase duas horas de projeção, os erros do roteiro se acumulam deixando rastros indesculpáveis. O quarteto protagonista passa o tempo inteiro lamentando em não serem aceitos pela sociedade americana.

Mesmo para uma continuação, o que já seria desnecessário, não existe apenas uma, mas duas apresentações dos personagens e suas habilidades. Uma delas com créditos e tudo, e a outra em um diálogo com o engraçadinho da turma, Michelangelo.

O roteiro aposta em som e fúria nas sequências de ação, intercalado com inserções engraçadinhas, além de rechear a trama com diálogos que insistem na explicação contínua para o que está acontecendo.

Entre os exemplos há a apresentação de Krang e a montagem d´O Capacitor de Arco para a vinda do Tecnódromo, ou nas ações de April O´Neall (Megan Fox), do Dr. Baxter Stockman e na investigação comandada pela Oficial Vincent (Laura Linney).

Apesar de envolver elementos químicos, planos mirabolantes e embates contra a Gangue do Pé, em todas, repito, em todas as situações apresentadas, as resoluções são práticas e óbvias.

Seja na fuga de o Destruidor; no Museu de História Natural – onde se entra fácil e não tem erro ao procurar uma peça ancestral, se sabe o que é, onde é, como se subtrai…; na invasão ao QG da polícia, simples e rápido. E claro, tudo tecnologicamente parece ser muito fácil, vide no uso de uma relógio para roubar dados, o que ocorre no laboratório, no uso do GPS para localizar os celulares de Beebop e Rocksteady, a montagem do Capacitor de Arco…

Diretor de Transformers, Michel Bay aqui é produtor e não foi esquecido. Que tal um pouso forçado de um avião em plena floresta brasileira com o uso grotesco de um tanque em meio às cataratas (que parecem ser do Iguaçu)? Além do exagero na cena de ação, marca do diretor, temos a presença de um cosplay de Bumblebee.

Mais problemas. A trilha sonora é insuportável – e que, interminavelmente, percorre quase todas as cenas da produção. Resta ao Mestre Splinter uma piadinha (ridícula) com a sua meditação e uma frase de efeito em uma ponta de luxo.

E o que acontece com gente do calibre de Will Arnett e Laura Linney? O primeiro é um comediante indicado a cinco Emmy, mas que se sujeita ao papel de coadjuvante do coadjuvante, e pior, sem espaço para roubar nenhuma cena sequer. A segunda – indicada ao Oscar três vezes em papéis de alta carga dramática, como Conte Comigo (2000), A Família Savage (2007) e Kinsey (2004) – faz uma oficial durona, mas completamente deslocada numa trama mínima.

Repórter, April O’Neil (Megan Fox), está mais para investigadora do que jornalista. Fox se segura em caras, bocas e corpão, que no final não quer dizer nada.

Já o justiceiro Casey Jones, interpretado por Stephen Amell é quem se sai melhor. Com as motivações e o físico em dias, sua luta contra o crime parece ser a mais sólida do roteiro. A favor de Amell, seu histórico heroico, já que ele é o protagonista da série “Arrow”, da Warner.

Cowabunga! Há um raro momento de diversão, quando toca “Ice Ice Baby”, em uma clara referência ao segundo filme (As Tatarugas Ninja: O Segredo do Ooze, 1991), que conta com a participação trash do próprio Vanilla Ice.

As estrelas ninja na logo da Paramount antes do filme começar já avisam que a aventura será em tom de comédia. Mas não ocorre exatamente isso. Com uma linguagem ainda mais bobinha que seu desenho animado, Tartarugas Ninja: Fora das Sombras é bem fraco. E só não é pior que o antecessor porque seus efeitos visuais são realmente especiais e a captura de movimentos impressiona pela humanização dos protagonistas.

A síntese da superprodução vem depois de uma grande sequência de ação. Depois de quase morrer afogada, uma das tartarugas ninja agradece por estar viva. E ao encontrar uma tartaruga mesmo, ele resume o filme em uma palavra: “Constrangedor”.

Tartarugas Ninja no cinema

Personagens com extremo carisma nos desenhos animados do final de 1987 a 1996, as tartarugas ninja já haviam dado as caras da tela grande em outras oportunidades. O primeiro filme foi As Tartarugas Ninja (1990), de baixo orçamento, mas com a luxuosa ajuda de Jim Henson (o mago por trás de Os Muppets) e seus bonecos maravilhosos. Sucesso em caixa, a continuação não demorou e em 1991 estreou As Tartarugas Ninja 2: O Segredo do Ooze.

Chegamos ao fundo do poço no terceiro. As Tartarugas Ninja III (1993) voltam no tempo até o Japão Medieval e passam vergonha. A magia tinha acabado, e só restava ao quarteto o desenho animado repaginado no Nickelodeon. Mais soturno e violento, a animação As Tartarugas Ninja – O Retorno (2007), deu uma sobrevida aos personagens criados por Peter Laird e Kevin Eastman.

Mas para o grande público, Rafael, Michelangelo, Leonardo e Donatello só voltariam a brilhar no sucesso de bilheteria de 2014, As Tartarugas Ninja. Quase 500 milhões de dólares depois (em bilheterias ao redor do mundo), sua continuação, As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows, 2016) estreia.

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