Cinema em casa: ‘Confissões de Adolescente’ se adapta à geração digital 20 anos após série de TV

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“Confissões de Adolescente” em Blu-ray (Foto: Sony)

Confissões de Adolescente (Idem, 2013) de Daniel Filho

O filme: mudar do analógico anos 90 para o digital ‘atual’, com texto baseado na peça e série de TV de Maria Mariana, que tanto fez sucesso entre 1994 e 1995, a fita atualiza as confissões de um grupo de adolescentes do Rio de Janeiro.

A trama se fixa na geração Y, entre o começo do Orkut até o uso atual do Facebook, e explora principalmente a vida de quatro irmãs (Sophia Abrahão, Bella Camero, Malu Rodrigues e Clara Tiezzi) que recebem a dura declaração do pai (Cássio Gabus Mendes, ótimo) de que eles vão ter de se mudar.

Porque assistir: do mote – puxada pela condição financeira familiar, a trama passa pelo bullying no colégio (em tom nada ameno e quase forçado, quase), menstruação (um tema que quase passa batido e aparece numa cena cômica), homossexualismo (há um verniz social, mas no geral bem empregado), gravidez na adolescência (o melhor caso explorado), decisões sobre a carreira, amores e desamores (com idas e vindas no tempo).

Se antes a turma se reunia para ‘bater os retratos’ e torciam para que todos saiam bem nas fotos, que depois eram coladas nos cadernos, hoje tudo isso dá lugar ao sentimento de instantaneidade. Em tempos de Instagram, onde as fotos são postadas imediatamente na internet e as redes sociais são onde se bebem notícias, diversão e polêmicas, os namoros são ficas, e uma noite de amor pode ser agora um sexo casual.

Melhores momentos: tema de peso ganham leveza, com a passagem de tempo (de faixa etária entre os 13 e a maioridade, o colégio e a faculdade) ganha contornos dramáticos necessários, como a gravidez na adolescência.

Mas diversão mesmo é ver uma espécie de sátira (hilária) de ‘Crepúsculo’, ao envolver o primeiro amor como ponto de partida. Na verdade, só essa brincadeira é melhor que toda a Saga (de araque) ‘Crepúsculo’ (2008; 2009; 2010; 2011; 2012).

A participação especial de Deborah Secco – como uma mãe sem noção que fiscaliza a data de validade das camisinhas do filho – é sensacional.

Deborah Secco em 'participação afetiva' (Foto: Sony)
Deborah Secco em ‘participação afetiva’ (Foto: Sony)

Pontos fracos: o dito rito de passagem acrescenta algumas cenas cômicas desnecessárias (como o orgasmo no espaço).

Na prateleira da sua casa: para um filme de Daniel Filho, impregnado pelo sucesso das comédias abobalhadas de Se Eu Fosse Você 1 e 2 (2006; 2008), até que as escorregadas são mínimas.

As atrizes originais da série (Maria Mariana; Daniele Valente, Georgiana Góes e Deborah Secco – a melhor delas) fazem ‘participações afetivas’. Mesmo em tempos digitais e com um filme que moderniza uma série de TV dos anos 90, podemos perceber em cenas e sentimentos que ainda existe o romance, o amor, a família e os melhores amigos para te apoiar.

Nos extras (de DVD e Blu-ray) há o making of, trailers, documentário e uma matéria apresentada no Fantástico.

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