Cineasta revela que filme oitentista sobre suas memórias levou 11 anos para ser feito

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Marina Person no set de “Califórnia” (Foto: Vitrine Filmes)

 

Diretora, apresentadora de TV, VJ e atriz, Marina Person se notabilizou na MTV, à frente do Cine MTV por quase 20 anos. Filha do notável cineasta Luis Sérgio Person, o qual homenageou ao dirigir o documentário Person, com estreia mundial no Festival de Locarno (Suíça), e menção honrosa no Festival de Cinema de Trieste (Itália), Marina agora estreia nos longas de ficção.

Seu novo projeto é o afetivo Califórnia (2015) – um rito de passagem sensível e nostálgico, já em cartaz nos cinemas –, que assina como diretora, roteirista e produtora, para resgata as experiências vividas pela geração dos anos 80, e que ela mesmo inclui algumas de suas memórias. [tribuna-saiba-mais id=”10181″ align=”aligncenter”]

[tribuna-veja-tambem id=”10177″ align=”alignright”]Em conversa descontraída com o Clube Cinema, Marina Person falou sobre o carinho do projeto, a inspiração do pai, seu elenco jovem, o clima dos anos 80 e próximos projetos. Confira agora o bate-papo:

Tribuna do Ceará: O que Califórnia significa afetivamente para você?

Marina Person: Califórnia do título representa para mim a essência do filme. É o sonho de Estela (a jovem protagonista da história), que ela idealizou por muito tempo. A Califórnia é uma espécie de utopia, um lugar onde sempre tem sol, onde as pessoas surfam, a agricultura é orgânica, onde a qualidade de vida está acima de tudo, é ode está o Estado de São Francisco, uma cidade progressista que acolheu a comunidade homossexual…

Tribuna: O quanto de Estela e das experiências da protagonista tem da Marina?

Marina: Califórnia não é um filme auto-biográfico, mas tem muitos elementos auto-biográficos, muitas situações que estão no filme aconteceram comigo. Existem muitas coisas nela que são idênticas a mim. Eu era fanática pelo David Bowie como ela, ia no Carbono 14 ver videos de música no sábado à tarde, comprava discos na Wop Bop, tinha uma queda pelo surfistinha da escola e me apaixonei por garotos tipo JM. Outro exemplo: Eu li “O Estrangeiro”, livro do Albert Camus, porquê queria impressionar um cara que adorava The Cure, igual ao filme (risos).

Tribuna: Quanto tempo demorou para o projeto acontecer, da ideia até a estreia?

Marina: Muito! (Risos). As minhas primeiras anotações são de 2004, demorou um ano e meio até ter uma primeira versão do roteiro e uma longa gestação até chegar na versão que filmamos. Do começo da pré-produção efetivamente, que considero os testes de elenco, até hoje foram dois anos.

Tribuna: Fiquei impressionado com a direção de arte e o figurino do longa, uma verdadeira volta no tempo. Conte um pouco sobre a produção do filme nesse sentido…

Marina: Eu tive uma diretora de arte muito genial que é a Ana Mara Abreu. Ela foi muito cuidadosa e detalhista e não pensa somente no cenário, tem uma visão global do filme. Usamos muitas coisas que eram minhas de fato, sobretudo no quarto e no figurino de Estela, como fotos, cartas, bilhetes, ingressos de cinema, camisetas. Também tem os discos da loja de discos e do quarto de JM, a maioria é da minha coleção original dos anos 80! E a música também ajuda nessa viagem no tempo, por isso investi tanto na trilha sonora.

Tribuna: Como avalia a interação do seu elenco – basicamente formado por jovens -, mas que consegue criar uma boa conexão na tela? Ensaios, pura química, amizade no set ou sua condução?

Marina: Acho que tudo isso e mais o fator sorte! Eu testei muitos adolescentes, mas de fato tive sorte de encontrar esse elenco tão especial. A Clara Gallo nunca tinha feito nada, apenas alguns cursos, o Caio Horowicz tinha feito apenas uma série infanto-juvenil chamada “Família Imperial”.

Fizemos uma intensa preparação de expressão corporal e jogos teatrais com o preparador Luiz Mário Vicente. Eu também pedi para eles estudarem sobre os anos 80 e os assuntos do filme. Queria que eles lessem os livros que são citados, escutassem as músicas do The Cure, David Bowie, New Order, soubessem o que é o pós-punk na música, as ‘Diretas Já’ e a descoberta da AIDS. Além disso ensaiamos bastante as cenas também. Mas tem uma coisa que é a mágica que só o cinema proporciona. Ela acontece, e muitas vezes não se explica o porquê….

Tribuna: Apesar de estilos bem diferentes de cinema, seu pai se orgulharia do resultado final?

Marina: Difícil dizer, né? (Muitos risos). Mas acho que sim! O Luis Sérgio Person (diretor do clássico do cinema nacional, São Paulo – Sociedade Anônima, 1965) gostava de fazer um cinema que se comunicasse com o público, e espero que o Califórnia consiga isso, tocas as pessoas. Eu sou muito influenciada pelo cinema de meu pai, claro, admiro demais os filmes dele, e com certeza existe algo dele em Califórnia.

Tribuna: Qual seu próximo projeto?

Marina: Meu próximo projeto é o “Canção da Volta”, um filme em que eu sou atriz. João Miguel (A Hora e a Vez de Augusto Matraga) é um apresentador de programa literário que é casado com uma mulher, Julia, que sou eu. Essa mulher sofre de depressão e o filme começa com ela voltando pra casa depois de mais uma tentativa de suicídio. Quem também está no elenco é o Francisco Miguez (As Melhores Coisas do Mundo) no filme dirigido por Gustavo Rosa de Moura.

Confira a foto-galeria do filme “Califórnia” [CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR]:

CALIFÓRNIA (Brasil, 2015) de Marina Person | Drama | 90 minutos | Distribuição: Vitrine Filmes

Sinopse: O ano é 1984. Estela vive a conturbada passagem pela adolescência. O sexo, os amores, as amizades; tudo parece muito complicado. Seu tio Carlos é seu maior herói, e a viagem à Califórnia para visitá-lo, seu grande sonho. Mas tudo desaba quando ele volta magro, fraco e doente. Entre crises e descobertas, Estela irá encarar uma realidade que mudará, definitivamente, sua forma de ver o mundo.

Elenco: Clara Gallo, Caio Horowicz, Caio Blat, Livia Gijon, Letícia Fagnani, Giovanni Gallo. Participações especiais: Paulo Miklos, Virginia Cavendish, Gilda Nomacce.