Christopher Plummer é alma e coração do tenso “Memórias Secretas”

Memórias Secretas (Remember, 2015) de Atom Egoyan

No cinema, grandes papéis para atores e atrizes que já passaram dos 70 não é algo corriqueiro. Principalmente para protagonistas. Mas o cineasta Atom Egoyan presenteia Christopher Plummer com um baita personagem em Memórias Secretas (Remember, 2015). E de volta, o veterano não o desaponta, se tornando o coração pulsando de uma trama que tem seus solavancos, mas é tensa até o fim.

Aos 80 anos e convivendo com a demência – que aos poucos leva as suas memórias –, Zev (Christopher Plummer) aceita uma missão de vida ou morte. Incumbido pelo seu colega de asilo, Max Zucker (Martin Landau, Oscar de coadjuvante Ed Wood, 1994), Zev foge do local em que vive em busca de um antigo guarda nazista. O objetivo é puni-lo pelo assassinato de sua família durante a Segunda Guerra Mundial. A jornada também é um desejo de Max, que também teve a seus familiares castigados pelo oficial que serviu em Auschwitz. Apesar de todas as dificuldades que carrega por sua idade avançada e suas falhas de memória, Zev decide fazer justiça com as próprias mãos.

Christopher Plummer (Oscar de coadjuvante por Toda Forma de Amor, 2010)  se entrega na pele do desmemoriado Zev, que carrega em uma carta seu único elo com sua própria memória. Na tela o que se vê é alguém que pode morrer a qualquer momento, um caco de gente em meio a uma missão recheada de carga emocional.

Da obra, note também o bom trabalho de maquiagem, simples, mas notável. Principalmente em Bruno Ganz (o primeiro Rudy Kurlander) e Jurgen Prochnow (o quarto da lista).

Diretor do meio independente, Atom Egoyan já concorreu ao Oscar de direção e roteiro adaptado por O Doce Amanhã (1997), pelo qual ganhou dois prêmios em Cannes e também concorreu a Palma de Ouro. No mesmo Festival, também disputou o prêmio máximo com Exótica (1994), O Fio da Inocência (1999), Verdade Nua (2005), Adoração (2008) e À Procura (2014).

Com Memórias Secretas (2015), foi indicado ao Leão de Ouro em Veneza, pelo o qual venceu um prêmio especial no mesmo festival.

Estreia em longas do roteirista Benjamin August, a trama vacila em repetir o conteúdo da carta ao público, de uma forma a transformar esses momentos em repetitivos e não em descobertas, como para o protagonista. Inclusive, após a sequência final de Zev, o retorno a uma nova cena dentro do asilo é desnecessária para a conclusão da trama.

Contudo, a condução permeia o drama de tensão, e constrói pelo menos duas dignas de nota. Uma, do encontro entre o filho de um nazista com Zev; E a outra, na sequência que contém a “revelação final”, incluindo uma boa surpresa que podia fechar o filme de uma forma bem mais forte do que a escolhida.

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