“Capitão América: Guerra Civil” reafirma a maturidade do universo Marvel no cinema

Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) de Anthony e Joe Russo

O universo da Marvel no cinema chega à terceira fase com muita maturidade. E um baita filme. Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) já abre com Capitão América/Steve Rogers (Chris Evans) liderando os Vingadores em mais uma missão para proteger a humanidade.

Contudo, depois que um novo incidente envolvendo a equipe resulta num dano colateral humano, a pressão política se levanta para instaurar um sistema de contagem liderado por um órgão governamental para supervisionar e dirigir os heróis.

O governo americano, na pele do secretário de estado, Thaddeus Ross (William Hurt), levanta também as questões das ações ocorridas em Nova York (Os Vingadores), Washington (Capitão América: Soldado Invernal) e Sokovia (Vingadores 2: A Era de Ultron), assim como seus prejuízos e números de mortos.

Com isso, a situação divide os Vingadores, resultando em dois campos: um liderado por Steve Rogers e seu desejo de que os Vingadores permaneçam livres para defender a humanidade sem a interferência do governo; o outro seguindo a surpreendente decisão de Tony Stark (Robert Downey Jr.) em apoio à supervisão e contagem do governo.

Polarizando a trama em protagonismo e em posição (política até), temos Robert Downey Jr. (Homem de Ferro) e Chris Evans (Capitão América). O primeiro está em seu 7º filme dentro do Universo Cinemático Marvel, enquanto o segundo, em seu 5º. Longe do lugar comum de seus personagens, Evans e Downey Jr. acreditam e vão até o fim com as suas concepções, construídas e embasadas no roteiro.

Exceto pela construção perfeita do herói fanfarrão em sua estreia, lá em 2008 (Homem de Ferro), Downey Jr. sente e agora demonstra o peso da responsabilidade ser um herói. Ainda mais impressionante é Evans, em um papel altamente potente, repleto de emoções e motivações.

Mesmo com um numeroso elenco, há praticamente um momento para cada um.

Impossível não notar a força de Chadwick Boseman como T’Challa/Pantera Negra. O personagem não é apenas parte importantíssima da história, como pode ter sua entrada nos filmes da Marvel categorizada como triunfal. O filme solo do Rei Guerreiro de Wakanda estreia em 2018.

O novo (e novo mesmo) Homem-Aranha surpreende positivamente. Tom Holland faz de seu Peter Parker um adolescente que equilibra humor e genialidade. Quando entra em ação, sua agilidade só me pareceu visualmente muito mais efeitos especiais em CGI do que qualquer outra coisa. E a Tia May de Marisa Tomei, hein? Um espetáculo em formato de ponta de luxo.

Os demais heróis marcam bem a presença (Elizabeth Olsen/Feiticeira Escarlate; Paul Bettany/Visão; Anthony Mackie/Falcão; Jeremy Renner/Gavião Arqueiro; Sebastian Stan/Soldado Invernal; Don Cheadle/Máquina de Guerra), mas ainda espaço para dois destaques. Scarlett Johansson só cresce como uma Viúva Negra interessante, e não só apenas fisicamente mortal, e o Homem-Formiga de Paul Rudd, sempre divertido.

Outra boa sacada do roteiro é a forma como é gerada a motivação do seu vilão, o Zemo de Daniel Brühl. É uma pessoa sem poderes especiais, mas extremamente imprevisível em suas ações malignas.

Após assinarem o melhor filme da Marvel Studios, Capitão América: Soldado Invernal (2014), os Irmãos Russo reafirmam a maturidade do universo Marvel em outra obra em alto nível. Palmas para a dupla, que costuram sua superprodução com uma ação espetacular sempre a favor da história. Tingido de um tom político maduro, o resultado final é um filmaço. Porque a questão principal não é a questão de que lado você está, e sim de fazer o que é certo.

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