“A Caçada” conta história real em tom de thriller jornalístico

A Caçada (The Hunting Party, 2007) de Richard Shepard

O filme: antes de tudo começar, você deu a devida atenção ao que dizia o letreiro? “Somente as partes mais absurdas dessa história são reais.” A obra é uma verdadeira brincadeira de gente grande. E das boas.

Ao passear muito bem entre os gêneros da ação, comédia, drama e até algum suspense, acompanhamos os intrépidos jornalistas (um repórter cinematográfico – Terrence Howard e um jornalista – Richard Gere) numa caçada a um perigoso criminoso de guerra, que massacrou milhares de pessoas na Guerra da Bósnia. Entre tiros e notícias, entra em cena o jornalista novato Benjamin (Jesse Eisenberg), em busca de reconhecimento profissional.

Porque assistir: Transforma-se num divertimento inteligente, de roteiro esperto, falas afiadas e piadas direto do meio jornalístico investigativo.

Os momentos mais estranhos também chamam atenção, como encarar um anão psicopata, conhecer uma mulher misteriosa, pedir ajuda a uma polícia ineficaz e até ser confundido com a CIA por um neurótico agente local.

Melhores momentos: Terrence Howard tem o melhor papel e se destacar ao equilibrar a razão com a emoção, se tornando o apoio ideal para as peripécias de seu melhor amigo na tela. Richard Gere continua espremendo os olhinhos em momentos de tensão, conseguindo driblar o comum com seu habitual charme, mesmo com a idade avançada já aparente.

Pontos fracos: o personagem de Benjamin (Jesse Eisenberg), jornalista novato e filho do vice-presidente de uma emissora de TV, é sem dúvida o ponto baixo da trama, escapando apenas em raros momentos.

Na prateleira da sua casa: e a história é real mesmo? Bem, leve em consideração o pano de fundo político e uma missão não autorizada. O tom do thriller jornalístico é de brincadeira, mas de rara perspicácia, como atestam até os créditos finais e suas revelações bem curiosas. É ver para crer.