Hollywood

Estamos em 2013 e muito se fala que o mercado de Hollywood corre atrás do rabo. A questão é que os grandes estúdios apostam apenas em produtos já conhecidos pelo público, e a lista é grande de categorias. A proporção nunca foi tão grande, mas essa regra já vem sendo utilizada há algum tempo.

Seja uma adaptação de HQs/quadrinhos (a mania do momento com uma infinidade de títulos como Os Vingadores, Batman, etc), os remakes/refilmagens (Dredd, A Morte do Demônio, etc), readaptações de obras clássicas (Alice, Branca de Neve, João e Maria, etc), adaptações de games e jogos (Príncipe da Pérsia, Transformers, Piratas do caribe, etc), adaptações de sagas literárias (O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Crepúsculo, etc) e adaptação de desenhos animados (Os Smurfs, Os Simpsons, etc). 

Existem também filmes que não chegam a ser sequências, mas são derivados de outros filmes – os spinoffs (Gato de Botas, O Escorpião Rei, etc), prequels/pré-continuações (Universidades Monstros, Oz: Mágico e Poderoso, etc), e os filmes refeitos – ou as sagas reiniciadas com novo elenco e tipo de abordagem, denominados reboot (O Espetacular Homem-Aranha, O Homem de Aço, etc), adaptações de séries de TV (O Cavaleiro Solitário, Missão: Impossível, etc), e claro, as continuações, como Homem de Ferro 3, Meu Malvado Favorito 2, Velozes & Furiosos 6 e muitos outros.

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Arte por Tiago Leite

Até o fim de 2013, cerca de 27 títulos (entre adaptações, sequências, remakes e afins) estrearão, mas isso não vem de hoje. Fazendo uma perspectiva de 30 anos atrás, em 1983 os cinemas dos EUA receberam nada menos que 13 continuações no cinema, e, ao final da temporada – considerada pífia em bilheteria, os filmes estiveram na lista dos 100 mais assistidos do ano.

Vamos a eles:

13. Agora Você Não Escapa (Smokey & the Bandit Part III) de Dick Lowry – 95ª posição nas bilheterias (U$ 5,6 milhões); Terceiro e último filme da trilogia Smokey & the Bandit, precedido de Agarre-me se Puderes (1977) e Desta Vez Te Agarro (1980);

12. Amityville 3-D: A Casa do Medo (Amityville 3-D) de Richard Fleisher – 88ª posição nas bilheterias (U$ 6,33 milhões); Terceiro filme da série “Amityville” – em 3D, precedido de Terror em Amityville (1979) e Amityville 2: A Possessão (1982). Depois vieram Amityville 4: Uma Questão de Tempo e Amityville 5: A Casa Maldita (1996), ambos direto para home video. Em 2005 o título foi refilmado, Horror em Amityville;

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11. Golpe de Mestre – Parte 2 ( The Sting II) de Jeremy Kagan – 87ª posição nas bilheterias (U$ 6,34 milhões); 10 anos após o clássico Golpe de Mestre (The Sting, 1973) ganhar sete Oscar, incluindo melhor filme, diretor e roteiro original, inventaram essa continuação, completamente sem cabimento. Ninguém voltou, nem diretor ou elenco, e o resultado é um filmeco;

10. Cheech & Chong em Amsterdam (Cheech & Chong Still Smoking) de Tommy Chong – 48ª posição nas bilheterias (U$ 15,5 milhões); É a 5ª aventura da dupla humorística de maconheiros “Cheech & Chong”. A série é composta por Queimando Tudo (1978); Cheech & Chong: O Próximo Filme (1980); Altos Sonhos de Cheech & Chong (1981); e Pintou Sujeira (1982);

9. Porky´s II: O Dia Seguinte (Porky´s II: The Next Day) de Bob Clark. – 21ª posição nas bilheterias (U$ 33,7 milhões); Para não perder o embalo do sucesso de bilheteria do primeiro Porky´s (1982) – que fez assombrosos U$ 105 milhões somente nos EUA, o segundo estreou no ano seguinte com a volta de toda a equipe original. Mas o estouro não foi tão grande e mesmo assim houve um terceiro (Porky´s Contra-Ataca, 1985) já ladeira abaixo;

8. Psicose II (Psycho II) de Richard Franklin – 20ª posição nas bilheterias (U$ 34,7 milhões); Depois do clássico de Alfred Hitchcock, Psicose (1960), Norman Bates voltou de 23 anos de internação num manicômio. Doidos são os responsáveis por essa aberração. E piora, com Psicose III (1986) e o filme para TV, Psicose IV: O Início (1990), num misto de continuação e prequel, recontando um pouco da origem do psicopata. Ah, e não podemos esquecer do remake quadro-a-quadro de Gus Van Sant, Psicose (1998);

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7. Tubarão III (Jaws 3-D) de Joe Alves – 15ª posição nas bilheterias (U$ 45,5 milhões); O primeirão de Steven Spielberg, Tubarão (1975), foi o filme que forjou o título de blockbuster/arrasa-quarteirão com sua bilheteria monstruosa. Em 1978 o estúdio forçou uma continuação, como retorno do Chefe Brody (Roy Scheider) combatendo um segundo Tubarão na praia de Amity. O terceiro (e mais absurdo), que uso o recurso 3D, traz os filhos do Chefe Brody (entre eles Dennis Quaid), enfrentando mais um ataque de tubarão em plano parque temático Sea World! O último suspiro ainda existiu, Tubarão 4: A Vingança (1987) com a viúva (!?) do Chefe Brody às voltas com a vingança de um Tubarão;

6. 007 – Nunca Mais Outra Vez (Nerver Say Never Again) de Irvin Kershner – 14ª posição nas bilheterias (U$ 55,4 milhões); É a refilmagem de 007 Contra a Chantagem Atômica (1965), contudo a obra não faz parte da série oficial de filmes do agente James Bond. O projeto de Kevin McClory, que produziu o filme original de 1965, ganhou na Justiça americana o direito de fazer seu próprio filme com o personagem James Bond, desde que este fosse produzido após 1975. McClory e Ian Flemming (autor dos livros que deram origem a série 007) escreveram um roteiro de cinema que demorou a ser filmado, mas o escritor acabou transformando o roteiro em livro, lançando-o antes do filme. Foi um sucesso considerável, mas a ideia de existir uma segunda série de filmes com o personagem James Bond, em paralelo ao oficial 007 – não prosseguiu;

5. Superman III (Superman III) de Richard Lester – 12ª posição nas bilheterias (U$ 59,9 milhões); Depois de dois filmes maravilhosos (Superman, 1978/ Superman II: A Aventura Continua, 1981) – e bilheterias idem, os produtores decidiram não cessar a máquina. Porém, as escolhas foram as piores possíveis. O terceiro filme do herói de Krypton é uma comédia com Richard Pryor e Superman no meio. Uma lástima, que piorou em Superman IV: Em Busca da Paz (1987);

4. Os Embalos de Sábado à Noite Continuam (Staying Alive) de Sylvester Stallone – 8ª posição nas bilheterias (U$ 64,8 milhões); Os Embalos de Sábado à Noite marcou a geração discoteca, deu a John Travolta uma indicação ao Oscar de melhor ator, e uma montanha de dinheiro. Como continuar uma história como essa? Ir no ritmo da música… E Tony Manero agora ensina dança numa academia de ginástica e anseia ser o dançarino principal de um grande show da Broadway. Não deu certo;

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3. Impacto Fulminante (Sudden Impact) de Clint Eastwood – 7ª posição nas bilheterias (U$ 67,6 milhões); Quarto filme da série de filmes policiais com o detetive “Dirty Harry” Callahan, estrelado por Eastwood. É a maior bilheteria da série e o único dirigido por Eastwood. Precedido de Perseguidor Implacável (1971), Magnum 44 (1973) e Sem Medo da Morte (1976); O quinto e último foi Dirty Harry na Lista Negra (1988);

2. 007 Contra Octopussy (Octopussy) de John Glenn – 6ª posição nas bilheterias (U$ 67,8 milhões); 13º filme da série de filmes de espionagem com o agente secreto 007, conhecido como James Bond. Octopussy é o sexto dos sete filmes estrelados por Roger Moore, num personagem que já teve como protagonistas Sean Conney (seis filmes); George Lazenby (uma vez); Timothy Dalton (dois filmes) e Pierce Brosnan (quatro obras). O titular da vez é Daniel Craig, com três filmes e com contrato para outros dois;

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Star Wars – Episódio VI: O Returno de Jedi (FOTO: Disney/divulgação)

1. Star Wars – Episódio VI: O Retorno de Jedi (The Return of Jedi) de Richard Marquand – 1ª posição nas bilheterias (U$ 252,5 milhões); O grande filme de 1983, cronologicamente é o 6º da saga de Star Wars, mas foi o 3º filme a ser filmado e estrear. Precedido de Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança/Guerra nas Estrelas (1977) e Star Wars – Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980). A segunda trilogia estreou depois (Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma, 1999; Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones, 2002; Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith, 2005), mas de cronologia anterior;

Menção Honrosa:
Scarface (Scarface) de Brian DePalma – 16ª posição nas bilheterias (U$ 44,6 milhões); Refilmagem de Scarface – A Vergonha de uma Nação (1932) de Howard Hawkes e Richard Rosson, com produção de Howard Hughes. Se o original se passava na época da Grande Depressão de 29, seu remake é transportada para os anos 80 abordando o problema da imigração ilegal nos EUA e o tráfico de drogas. Clap Clap Clap para o filme com roteiro de Oliver Stone e que traz no elenco Al Pacino e Michelle Pfeiffer.

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