11 pequenas grandes surpresas do cinema em 2016

Os filmes que compõem essa lista não chegaram a ser os melhores filmes de 2016, mas sem dúvida, foram as melhores e maiores surpresas do ano nos cinemas. Temos uma volta por cima de um grande diretor, pequenos-grandes filmes de suspense, comédias e uma maciça presença do cinema nacional. Essa sim, uma das melhores notícias do ano.

Vamos para a lista!

10. Snowden: Herói ou Traidor? (Snowden, EUA/França/Alemanha, 2016) de Oliver Stone: vencedor do Oscar duas vezes, o diretor americano estava em baixa, mas conseguiu dar volta por cima com um puta espetáculo neste thriller político biográfico. Duas cenas dessa tensa obra que mostra parte da vida Edward Snowden, traduzem tudo que acontece na tela: uma caçada de patos (você sabe quem são os patos da história?) e o agigantado chefe da CIA tentando diminuir as descobertas do protagonista (ou ponha-se em seu devido lugar). E que mundo é esse que vivemos?

9. O Roubo da Taça (Idem, Brasil, 2016) de Caíto Ortiz: Narrado em tom de comédia oitentista, e bem caricatural, a trama revisita o episódio do roubo da taça Jules Rimet, em 1983, na sede da CBF. Com uma história tão improvável quanto real, essa comédia é um exercício de estilo divertido. Apesar da queda no terceiro ato, é uma produção recomendável, mesmo para quem não gosta de futebol.

8. Trumbo – Lista Negra (Trumbo, 2015) de Jay Roach: Ele escreveu histórias de amor. Filmes policiais, crimes, dramas e comédias. Era o roteirista mais bem pago de Hollywood em idos dos anos 40. Mas em uma época de puro glamour, Dalton Trumbo (Bryan Cranston) se assumiu comunista na América, e a sua história de vida passou a se confundiu com seus roteiros. Baseado em fatos reais, o drama mostra como o roteirista Trumbo (Bryan Cranston), passou de presença constante na cena social de Hollywood, e ativista político por direitos civis e trabalhistas e igualdade salarial, à perseguido politicamente.

7. Mundo Cão (Idem, Brasil, 2016) de Marcus Jorge: funcionário do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo que trabalha recolhendo cães de rua. Certo dia ele captura um enorme cachorro raivoso cujo dono (Lázaro Ramos) só aparece para recuperá-lo dias depois, quando já é tarde demais. Irado, o homem parte em busca vingança. Com uma história simples e boas atuações, drama urbano de vingança funciona bem. Interessante notar a inversão na escalação dos papéis, com um Lázaro Ramos de vilão e Babu Santana, o mocinho.

6. O Vale do Amor (Valley of Love, França/EUA, 2015) de Guillaume Nicloux: Fascinante estudo sobre como recomeços são possíveis, mesmo perto do fim de tudo. Entre o drama familiar e o delírio no meio do deserto à procura de respostas do filho que se suicidou, o “casal” Depardieu-Huppert brilha do começo ao fim.

5. Nise: O Coração da Loucura (Idem, Brasil, 2016) de Roberto Berliner: Na história da protagonista contra o sistema, a condução do diretor Roberto Berliner conquista a cada avanço de Nise/Glória Pires (em atuação sóbria e segura). Baseado em uma bela história real da Dra. Nise da Silveira, que propõe um tratamento alternativo no hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. Um pequeno grande filme que merece ser descoberta.

4. Águas Rasas (The Shallows, EUA, 2016) de Jaume Collet-Serra: Blake Lively dá – literalmente – o sangue neste suspense mais que eficiente. O embate do homem (no caso, ela) X natureza (tubarão) é constituído de uma história pessoal e a luta pela sobrevivência, bem urdido dramaticamente e sem pieguice.

3. Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo (Idem, Brasil, 2016) de Afonso Poyart: A história da vida de José Aldo é por si só, cinematográfica. Dos subúrbios de Manaus, passando pelo começo da carreira profissional no Rio, até a chegada ao estrelado do UFC nos EUA. E apesar do exageros publi-cinematográficos de Afonso Poyart, o filme é muito bacana. E melhor, longe de ser chapa branca, não esconde os erros da vida do biografado. Além do crescente emocional que explode no final com gosto.

2. O Shaolin do Sertão (Idem, Brasil, 2016) de Halder Gomes: Apoiado em gírias e mungangos cearense, apresenta uma sucessão implacável de piadas. Diverte com a inocência do seu protagonista, brinca com referências tão diversos quanto icônicos (Bruce Lee, forró, Trapalhões, VHS, Genius e muitas outras coisas dos anos 80…) e só não é melhor por alguns engasgos da montagem. E me arrisco a dizer que, no cinema brasileiro recente, o Sertão nunca esteve tão bonito. Ah, e o Piolho é uma grande revelação.

1. O Homem nas Trevas (Don´t Breathe, EUA, 2016) de Fede Alvarez: a tradução do título original, “Não Respire” é perfeita para o clima asfixiante deste belo suspense. Plot simples, três jovens assaltantes presos dentro da casa de um cego veterano de guerra, mas extremamente engenhoso. Capaz até de ter uma virada (bacana) no meio do caminho. Grande trabalho de câmera do diretor (Fede Alvarez), além da primorosa produção de efeitos sonoros/edição de som. Ah, e apesar do título dúbio, o filme não tem nada de sobrenatural, é suspense mesmo.

Menção honrosa

A Festa da Salsicha (Sausage Party, EUA, 2016) de Conrad Vernon, Greg Tiernan: Apesar de baixo orçamento, é a única produção mainstream da lista. Mas ainda assim, bem controversa. Piadas de duplo sentido [dignas de 5o. série], drogas, palavrões e uma sequência de orgia entre alimentos (que eu ri muito) numa animação assumidamente tosca e totalmente uma viagem. É isso mesmo: esse não é um desenho animado para crianças.

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